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Home»MEIO AMBIENTE»Operação do Ibama causa prejuízo de R$ 33 milhões ao garimpo ilegal no Pará
MEIO AMBIENTE 2 de julho de 2026

Operação do Ibama causa prejuízo de R$ 33 milhões ao garimpo ilegal no Pará

Ação destruiu 45 escavadeiras e desarticulou frentes de mineração dentro das terras indígenas Kayapó e Kuruaya
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Foto: Ibama
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Resumo

  • O Ibama concluiu uma grande operação de combate ao crime ambiental na bacia do Rio Xingu, no Pará, gerando um prejuízo estimado em R$ 33 milhões para as organizações de garimpo ilegal.
  • A fiscalização focou na proteção das terras indígenas Kayapó e Kuruaya, visando conter a contaminação dos rios por mercúrio, a destruição da biodiversidade e os riscos aos povos originários.
  • Por se tratar de áreas isoladas na Floresta Amazônica, o Ibama utilizou helicópteros para transporte de fiscais e monitoramento aéreo, além de bases estratégicas e atuação conjunta com a Funai e a Polícia Federal.
  • Devido à impossibilidade de remover os equipamentos por falta de estradas, a equipe aplicou a lei federal para destruir o maquinário no local, impedindo a retomada imediata do garimpo.
  • Foram inutilizadas 45 escavadeiras hidráulicas, 81 motores, uma balsa, além de tratores, caminhões, veículos menores, combustíveis, geradores, antenas de internet via satélite, acampamentos, armas e munições.
  • O termo “Xapiri” refere-se aos espíritos protetores da floresta (termo institucional do Ibama para ações em terras indígenas), e “Mebêngôkré” é como o povo Kayapó se autodenomina.

Em uma das maiores ofensivas recentes contra o crime ambiental no Pará, o Ibama concluiu, na última semana, a Operação Xapiri Mebêngôkré. Realizada em áreas remotas e de difícil acesso na bacia hidrográfica do Xingu, no sudoeste do estado, a ação desarticulou frentes ativas de mineração ilegal e gerou prejuízo estimado em R$ 33 milhões para organizações criminosas que atuam na região.

A operação focou na proteção das terras indígenas (TIs) Kayapó e Kuruaya, locais onde a atividade ameaça a biodiversidade, contamina rios e põe em risco a sobrevivência dos povos originários.

O sucesso da operação exigiu do Ibama uma engenharia logística minuciosa. Grande parte dos alvos estava localizada em áreas isoladas da Floresta Amazônica, desprovidas de acesso rodoviário e distantes de qualquer centro urbano.

Para romper essa barreira geográfica, o Instituto mobilizou uma estrutura robusta de suporte:

  • Suporte aéreo: helicópteros foram empregados para o reconhecimento detalhado dos alvos, garantia de transporte rápido dos fiscais e viabilização do apoio logístico onde o deslocamento terrestre ou fluvial seria impossível;
  • Bases estratégicas: pontos de apoio foram montados em municípios-chave da região para vistorias em locais sensíveis;
  • Ação interagências: Na primeira fase da operação, o Ibama atuou em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e com a Polícia Federal (PF), ampliando o campo de atuação.

Destruição de maquinário

A complexidade geográfica impôs a necessidade de aplicação do artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que respalda a destruição imediata dos equipamentos. Sem estradas para a remoção, deixar o maquinário intacto significaria permitir que os criminosos retomassem o garimpo poucas horas após a saída das equipes.

A neutralização dessas ferramentas representa um ganho ambiental inestimável para a Amazônia. A inutilização de 45 escavadeiras hidráulicas — principal ativo operacional do garimpo — cessa imediatamente a abertura de cavas, a movimentação desregrada de sedimentos e a supressão de floresta nativa.

Paralelamente, a destruição de 81 motores e de uma balsa interrompeu o ciclo de extração do ouro. Realizada com alta precisão, a ação estanca o despejo diário de mercúrio e rejeitos químicos nas águas que abastecem as comunidades.

Também foram inutilizados tratores, caminhões, caminhonetes, motocicletas, quadriciclos, grande volume de combustível, aparelhos de internet por satélite, geradores, armas, munições e estruturas de acampamento – todos usados na logística da atividade ilegal.

Proteção dos povos e ambiental

Mais do que impacto patrimonial contra o crime organizado, a ação cumpre o papel constitucional de proteger os povos indígenas e a integridade da Bacia do Rio Xingu.

As TIs funcionam como barreiras ecológicas cruciais para a preservação do meio ambiente, dando o fôlego para a regeneração natural da mata ciliar e dos rios da região e possibilitando a perpetuação dos saberes ancestrais e a segurança alimentar de seus povos. Defender esses territórios é uma prioridade estratégica do Ibama.

O nome da operação carrega essa simbologia: “Xapiri” – espíritos protetores da floresta para os Yanomami – é o termo institucional utilizado pelo Ibama para as iniciativas de combate ao garimpo em TIs, e “Mebêngôkré” é a autodenominação do povo Kayapó.

Bacia do Rio Xingu crime organizado destaque destaque2 garimpo ilegal Ibama Operação Xapiri Mebêngôkré Xingu
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