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MEIO AMBIENTE AGRICULTURA 2 de julho de 2026

Como a agricultura regenerativa protege a rentabilidade do campo contra a seca

Aposta em bioinsumos e tecnologia reduz dependência de químicos e aumenta a eficiência no uso da água
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Foto: Camta
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Resumo:

  • Secas prolongadas e estresse hídrico ameaçam a rentabilidade do agro, levando o setor a buscar no manejo da biologia do solo um “colchão de segurança” para garantir a estabilidade produtiva.
  • Gigantes do agro como a Nestlé passaram a adotar práticas regenerativas, que ajudam a manter os rendimentos estáveis mesmo diante de choques climáticos, tornando-se sustentáveis financeiramente para o produtor a longo prazo.
  • Já o Grupo Jacto, do setor de máquinas e insumos agrícolas, foca em tecnologia para pequenos e médios produtores, destacando o uso de bioinsumos para aumentar a eficiência no uso da água e reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados.
  • Mudar o modelo de cultivo exige de três a cinco anos. Para viabilizar a mudança, o setor debate o uso de créditos subsidiados (como fundos de impacto) e assistência técnica robusta para dar segurança financeira e operacional ao produtor.
  • Especialistas defendem assistência técnica para auxiliar produtor a transição.

Secas prolongadas, janelas de plantio cada vez mais estreitas e o fantasma do estresse hídrico desafiam a produtividade e a rentabilidade a cada safra. Para evitar prejuízos, gigantes globais de alimentos e institutos de pesquisa aumentam as apostas em novo caminho para a agropecuária: o do manejo com foco na biologia do solo.

É justamente essa a proposta da regeneração, que funciona como um verdadeiro “colchão de segurança” contra os choques climáticos, garantindo a estabilidade produtiva que o mercado e o bolso do produtor exigem.

Um exemplo prático vem do programa de suprimentos da Nestlé para vegetais e especiarias, que hoje monitora a conformidade ética e a transparência em mais de 10 países, envolvendo 30 fornecedores estratégicos e 50 culturas diferentes.

“Muitas vezes ouvimos de agricultores e fornecedores que todas as intervenções que eles implementaram usando o nosso programa os ajudaram a manter rendimentos estáveis apesar desses choques climáticos”, destacou Alan Grien, líder global de originação responsável da companhia.

Para ele, a verdadeira virada de chave acontece quando o agricultor percebe o valor agronômico e econômico da mudança na sua rotina.

“Onde você realmente mede o sucesso é quando chega a uma posição em que os agricultores vão continuar implementando a agricultura regenerativa mesmo diante de subsídios reduzidos ou inexistentes.”

Engenharia e biologia contra o estresse hídrico

Além disso, empresas centenárias do setor de máquinas e insumos agrícolas, como o Grupo Jacto, estão desenhando pacotes tecnológicos focados especificamente na segurança do operador e na eficiência contra o estresse hídrico, com forte aplicação na cafeicultura de alta produtividade.

“Temos concentrado nossos esforços para desenvolver tecnologia para pequenos e médios produtores. Se 20% dos agricultores do mundo focam nas grandes commodities de grãos, os outros 80% são os responsáveis diretos pela produção de alimentos e pela segurança alimentar — e essa base é fundamental”

Alita Belandi, presidente do conselho do grupo, destaca o papel estratégico dos bioinsumos, como biofertilizantes, bioestimulantes e condicionadores de solo, para acelerar essa recuperação.

O uso de portfólios biológicos específicos melhora o aproveitamento de nutrientes e a resposta da planta à seca, reduzindo a dependência e o peso financeiro de fertilizantes químicos importados na planilha de custos da safra.

“Quando falamos em agricultura regenerativa, o estresse hídrico é uma questão chave e o foco básico é aumentar a eficiência para reduzir o consumo de água e de insumos”, disse Alita.

Apoio na transição

Mudar o modelo de cultivo exige investimentos iniciais e um período de maturação que leva de três a cinco anos.

Para destravar esse nó, o setor debate o uso de mecanismos de fomento e créditos subsidiados (como as estruturas de blended finance), onde fundos de impacto assumem o risco inicial para viabilizar juros mais baratos no banco. Exemplo disso é o Fundo Vale, que já aportou R$ 300 milhões no ecossistema.

Além do dinheiro, o avanço depende de fechar o gap de conhecimento por meio de assessoria técnica independente e plataformas digitais como o CABI BioProtection Portal, dando segurança técnica para o produtor trocar o defensivo convencional pelo biológico. foi o que alertou Ulrich Kuhlmann, cientista-chefe da CABI.

“Os agricultores precisam estar confiantes de que essas alternativas trarão resultados confiáveis sob as condições específicas em que trabalham. No final das contas, os produtores são seres humanos e pensam em renda. Só vamos conquistá-los quando tivermos casos de uso robustos e validados localmente”, concluiu.

Saiba mais

O que é agricultura regenerativa?

Ao contrário do modelo convencional que foca apenas na nutrição química da planta, a agricultura regenerativa é um sistema de produção que prioriza a saúde e a restauração biológica do solo. O objetivo é recuperar a biodiversidade da terra através de práticas como o uso de bioinsumos, rotação de culturas e plantas de cobertura. Para o produtor, o resultado prático se traduz em um solo que retém mais água e nutrientes, reduzindo os custos com fertilizantes sintéticos e tornando a lavoura muito mais resistente a extremos climáticos, como secas e veranicos.

Fonte: André Garcia/Gigante 163

 

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