O Pará pretende fortelecer o apoio à agricultura familiar, com o lançamento do Acelera Ater. O plano promete chegar a todas as 12 regiões de integração do estado com assistência técnica, crédito rural e muito mais oportunidade para quem vive e trabalha no campo.
A meta do Emater é chegar a dez mil novos CAFs, três mil projetos do Pronaf e 75 mutirões simultâneos só em 2025. E o alcance vai além dos números — pelo menos 30% das vagas serão destinadas a mulheres, jovens, quilombolas e indígenas.
“O acesso ao crédito rural, viabilizado pelo CAF, aumenta a produtividade, o PIB municipal e a renda no meio rural”, explica a coordenadora técnica Cristiane Corrêa. Para o presidente da Emater-Pará, Joniel Abreu, a proposta é clara: “Buscamos converter a formalização e o crédito em desenvolvimento rural com justiça social. É uma assistência técnica mais resolutiva, ágil e próxima do agricultor.”
Tudo começa com um documento: o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Ele comprova a atividade rural e abre caminho para linhas de crédito como o Pronaf, o PAA e o Pnae. Com ele em mãos, o agricultor pode planejar, investir e crescer. O Acelera Ater prevê ainda seis mil indicações para o Microcrédito Orientado e um incremento de R$ 222 milhões injetados na agricultura familiar paraense.
Vida real
Adílio Pinheiro, pecuarista de Dom Eliseu, nunca tinha acessado crédito rural. Com o apoio da Emater, conseguiu seu primeiro financiamento: R$ 124 mil para investir em gado e capital de giro.
“O apoio da Emater é bom demais. Eles emitem o CAF, o CAR, verificam o pasto e fazem o projeto do crédito. Esse suporte em todo o processo é muito importante”, disse.
O vizinho de jornada Salatiel Fonseca já está no segundo projeto — R$ 200 mil aprovados desta vez.
“O primeiro eu paguei antes de vencer e agora aprovei outro. Esse dinheiro dá uma alavancada boa no giro da gente.”
Em Terra Alta, Juscelino Ramos Costa tem uma história ainda mais longa com a Emater: são 20 anos de parceria. O mais recente capítulo? R$ 51 mil via Pronaf para hortaliças e frutíferas. ”
Agradeço aos técnicos que me acompanharam e ajudaram em todo o processo, desde a emissão do CAF e do CAR”, afirmou.
Investimentos que já estão no campo
Só em 2025, a Emater viabilizou quase R$ 7 milhões para o dendê no Rio Capim e R$ 450 mil para o açaí no Marajó. Em Alenquer, R$ 12 milhões em crédito estão projetados para o primeiro semestre. Os indígenas Tembé receberam R$ 1,8 milhão para o manejo de açaizais, e quilombolas de São Miguel do Guamá conquistaram algo especial: tornaram-se fornecedores de merenda escolar.
Em Altamira, Laudio Leite espera a aprovação do seu projeto via Pronaf B para modernizar a irrigação do cacau clonado. O sonho é simples e poderoso: “Pretendo investir em tecnologia para ter mais qualidade de vida.”
Em 2025, a Emater-Pará já realizou mais de 77 mil atendimentos, beneficiando mais de 43 mil produtores. As regiões do Tocantins e Guamá lideram. Foram emitidos 27.327 CAFs e inscritos 2.287 novos CARs — 90% da meta batida. O campo paraense está em movimento.


