O Brasil entra em um período de vigilância crítica após a NOAA elevar para 82% a probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026. Este fenômeno, que deve se estender até o início de 2027 com 96% de chance, ocorre em um cenário global onde a temporada de incêndios no mundo já é 50% mais severa que a média histórica.
O alerta é reforçado por dados da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Eles revelam que os incêndios florestais de 2024 (ano marcado por um dos El Niño mais fortes da história), na Amazônia, superaram o desmatamento como o maior fator de perda de florestas tropicais no planeta, consolidando o fogo como uma ameaça central à biodiversidade.
Em levantamentos recentes, a área queimada na Amazônia, naquele ano, chegou a 16 milhões de hectares — um salto de 116% em relação à média anual da última década. O total de focos de calor alcançou 215 mil, representando um aumento de 55% em relação à média histórica do período analisado.
A combinação de um Pacífico superaquecido com a linha de base das mudanças climáticas globais cria um “efeito turbocompressor” que aumenta a vulnerabilidade das florestas brasileiras.
O impacto do El Niño é tradicionalmente desigual e perigoso no nosso País. Enquanto a região Sul tem excesso de chuvas e enchentes, as regiões Norte e Nordeste entram em um ciclo de seca severa e temperaturas recordes; e o Centro-Oeste enfrenta precipitações irregulares e calor extremo.
Esse cenário de estiagem prolongada na Amazônia e no Cerrado, somado ao “efeito chicote” — onde o crescimento de vegetação após períodos úmidos se torna combustível seco em ondas de calor —, sinaliza um potencial aumento nos focos de incêndio florestal.
Pesquisadores alertam que a degradação do dossel da floresta, já afetada pela exploração madeireira e secas anteriores, reduz a umidade interna da mata, tornando-a muito mais suscetível ao fogo.
Além do desastre ambiental, a intensificação das queimadas representa um risco imediato à saúde pública. A fumaça resultante transporta partículas finas (PM2,5) que são significativamente mais tóxicas que a poluição urbana comum, podendo agravar crises respiratórias em todo o País.
Com o mundo já registrando áreas queimadas recordes na África e na Ásia no início deste ano, especialistas reforçam que o Brasil precisa fortalecer suas estratégias de prevenção e combate ao fogo; uma vez que o aquecimento global torna mesmo os episódios moderados de El Niño mais destrutivos do que no passado.


