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MEIO AMBIENTE 22 de junho de 2026

El Niño deve prolongar período de seca e elevar temperaturas na Amazônia

Fenômeno ameaça reduzir chuvas em até 60% e agravar queimadas no Pará
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Foto: Agência Gov
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Resumo

  • O El Niño deve prolongar o período seco no Pará (especialmente no sul do estado) até outubro, com termômetros podendo atingir entre 38°C e 40°C no interior.
  • As chuvas podem ficar de 30% a 60% abaixo da média, deixando algumas localidades secas por meses.
  • A combinação de calor, vegetação seca e umidade do ar abaixo de 30% eleva criticamente o risco de queimadas florestais.
  • A baixa dos rios ameaça o transporte de alimentos e combustíveis, isolando comunidades ribeirinhas e indígenas e afetando a pesca e a agricultura.
  • Após a seca histórica de 2024, estados como o Amazonas já decretaram Estado de Emergência Climática preventiva devido aos riscos até 2027.

Um sopro de ar quente que começa a milhares de quilômetros de distância, no Oceano Pacífico, tem o poder de redesenhar a rotina, a paisagem e o clima da maior floresta tropical do mundo. O fenômeno El Niño, conhecido por alterar o regime de ventos e temperaturas globais, está novamente no centro das atenções meteorológicas, trazendo previsões de calor extremo e estiagem prolongada para a região amazônica.

No Pará, os efeitos já começam a se desenhar no horizonte. Segundo o meteorologista José Raimundo Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) disse a O Liberal, em entrevista recente, o fenômeno deve estender o período seco — que normalmente vai de junho a agosto no sul do estado — até setembro ou início de outubro. Sem nuvens para bloquear o sol, a radiação solar atinge o solo com força total.

  • Na capital, Belém: As madrugadas continuam abafadas (entre 23°C e 24°C), mas as tardes ganham ares de deserto, com máximas oscilando entre 33,5°C e 34,5°C.
  • No interior e no Sul do estado: O cenário é ainda mais desafiador. Cidades como Conceição do Araguaia, Redenção, São Félix do Xingu, Santarém e Altamira devem registrar temperaturas bem acima da média. Em alguns pontos do sul paraense, os termômetros podem romper a barreira dos 38°C a 40°C.

Além do calorão, as chuvas devem despencar para volumes entre 30% e 60% abaixo da média histórica. No sul do Pará, o Inmet alerta que algumas localidades podem amargar até dois meses inteiros sem ver uma gota d’água sequer.

Com a umidade do ar caindo para menos de 30%, o ambiente se torna um barril de pólvora: qualquer faísca, fogueira ou descarte incorreto de cigarro pode iniciar incêndios florestais incontroláveis.

O fantasma de 2024

O medo de um cenário devastador não é infundado. A memória de 2024 ainda está viva, ano em que o El Niño se uniu ao aquecimento do Atlântico Tropical para castigar a Amazônia com uma das secas mais severas de sua história, deixando rios gigantescos, como o Rio Madeira, em níveis mínimos históricos.

Diante das projeções que indicam a possibilidade de um “Super El Niño” estender seus impactos até o primeiro semestre de 2027, governos locais já se mobilizam. O Amazonas, por exemplo, decretou preventivamente Estado de Emergência Climática e Ambiental.

“O fenômeno cria condições ambientais altamente favoráveis para que queimadas iniciadas localmente se tornem mais intensas, extensas e difíceis de controlar”, explicou Isabelle Vilela, especialista em mudança do clima da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica).

O impacto socioeconômico

Abaixo da copa das árvores e ao longo das margens dos rios, a seca se transforma em crise social. Na Amazônia, as águas são as estradas. Quando o nível dos rios desce drasticamente:

  • O isolamento avança: Populações ribeirinhas e indígenas perdem o acesso ao transporte, o que inviabiliza a chegada de alimentos, combustíveis e insumos básicos.
  • A saúde e a educação travam: Sem navegabilidade, crianças ficam sem escola e o acesso a serviços médicos de emergência é blocoado.
  • A economia sofre: Setores vitais como a pesca, a agricultura de subsistência e a geração de energia enfrentam perdas profundas.

Um quebra-cabeça climático

Embora o Inmet preveja que o atual El Niño tenha uma intensidade inicial entre fraca e moderada, Isabelle Vilela lembra que o destino da floresta não depende apenas do Pacífico. O aquecimento anormal do Atlântico Tropical e o estado prévio do solo e da vegetação funcionam como engrenagens que podem atenuar ou amplificar o desastre.

Em um planeta em constante aquecimento global, o El Niño não atua sozinho; ele potencializa os extremos.

Para os próximos meses, a palavra de ordem na Amazônia é prevenção: proteger a saúde com hidratação constante, evitar a exposição ao sol forte e, acima de tudo, banir o uso do fogo para que a floresta possa resistir a mais um ciclo de fúria climática.

Fonte: O Liberal e InfomAmazônia

Amazônia El Niño pará PRINCIPAL queimadas seca
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