Resumo
- Dois países da Europa devem anunciar aportes ao Fundo de Florestas Tropicais (TFFF) nos próximos meses, segundo o embaixador Mauricio Lyrio (MRE).
- Criado com US$ 1 bilhão do Brasil, o TFFF recebeu promessas de US$ 5,7 bilhões na COP30, com apoio de países como Noruega, Indonésia, Alemanha e França.
- O objetivo do governo brasileiro é atrair tanto economias industrializadas quanto países em desenvolvimento para expandir a base de doadores.
- : O Brasil pretende destacar o TFFF como modelo de financiamento misto (blended finance) e defender o aumento global do uso de biocombustíveis.
Dois países europeus devem anunciar novos aportes ao fundo de florestas tropicais (TFFF, na sigla em inglês) nos próximos meses. A informação foi dada nesta quarta-feira, 5, pelo embaixador Mauricio Lyrio, secretário de clima, energia e meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores, durante encontro promovido pela Amcham Brasil na São Paulo Climate Week, do qual participou remotamente.
“Não posso adiantar, mas provavelmente teremos nos próximos meses bons anúncios de dois países europeus”, disse Lyrio, ao comentar a expectativa de novas contribuições ao fundo, criado para recompensar países que preservam florestas tropicais.
Já Capital Reset afirma alguns países devem aguardar o resultado das eleições presidenciais de outubro para confirmar seus aportes no mecanismo; São eles: China, Japão, Coreia do Sul, Canadá e Holanda, esta última já fez um aporte, mas de apenas 5 milhões de euros (R$ 29,5 milhões).Outra expectativa é um novo aporte da Alemanha, que já se comprometeu a destinar 1 bilhão de euros (R$ 5,9 bilhões) ao fundo.
O TFFF foi lançado com aporte inicial de US$ 1 bilhão do Brasil. Durante a COP30, em novembro, em Belém (PA), outros US$ 5,7 bilhões foram prometidos por Noruega (US$ 3 bilhões ao longo de dez anos), Indonésia (US$ 1 bilhão), Alemanha (1 bilhão de euros em uma década) e França (500 milhões de euros).
Segundo o embaixador, mesmo que a maior responsabilidade pelo financiamento normalmente recaia sobre as grandes economias industrializadas — historicamente as maiores emissoras de gases de efeito estufa —, o objetivo é ampliar a base de doadores e atrair também contribuições de países em desenvolvimento.
Lyrio também tratou das prioridades brasileiras para a COP31, que acontece em novembro, na Turquia. Segundo ele, o governo aposta em novos avanços do TFFF como referência para outras iniciativas de financiamento misto entre capital público e privado — modelo conhecido como blended finance — aplicadas à agenda de sustentabilidade. “Não é uma doação. Na verdade, é investimento efetivo em uma causa extraordinária, que é a redução do desmatamento no mundo”, afirmou.
Outra prioridade brasileira na conferência deste ano, segundo o embaixador, é defender os biocombustíveis como peça central da transição energética. Nesse ponto, Lyrio classificou como “prioridade absoluta” o compromisso assumido pelos países em Belém de quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis, incluindo os biocombustíveis.


