Resumo:
- A área sob alerta de desmatamento no Pará passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026, alta de 109,4%, segundo o Deter/Inpe, e o estado concentrou 43,3% dos alertas da Amazônia no mês.
- Na Amazônia como um todo, os alertas subiram 12,1%, de 319 km² para 358 km²; nos demais estados, a soma caiu de 245 km² para 203 km², segundo cálculo com base nos dados do Inpe.
- O MMA associa parte da alta à retirada do apoio da Polícia Militar do Pará, que inviabilizou operações do ICMBio em unidades de conservação do leste do estado, e montou força-tarefa federal para a região.
- No acumulado de 12 meses até 11/9, o Pará soma 1.100,78 km² sob alerta, a maior área do bioma, e Altamira lidera entre os municípios, com 167,98 km², segundo o painel TerraBrasilis.
- No trimestre de junho a agosto, os alertas na Amazônia caíram 20,4%, recorte que o ministro João Paulo Capobianco considera o mais indicado para avaliar tendência.
A área sob alerta de desmatamento no Pará mais que dobrou em agosto. Passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026, alta de 109,4%. O estado concentrou 43,3% dos alertas registrados na Amazônia no mês.
Os dados são do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), No conjunto da Amazônia, os alertas subiram 12,1%, de 319 km² para 358 km².
O aumento de 81 km² no Pará é maior que o crescimento de 39 km² registrado em toda a Amazônia. Nos demais estados, a área sob alerta somou 203 km² em agosto, contra 245 km² um ano antes.
Mato Grosso caiu de 98 km² para 58 km². O Amazonas passou de 71 km² para 75 km², e o Acre, de 32 km² para 37 km².
No trimestre de junho a agosto, a Amazônia registrou 1.044 km² sob alerta, queda de 20,4% sobre os 1.312 km² do mesmo período de 2025. Mesmo com a alta, agosto teve o terceiro menor resultado para o mês na série atual do Deter, iniciada em 2016.
“O dado de um mês no Deter não deve ser considerado, individualmente, um indicador estruturado de tendência. A avaliação trimestral, a mais indicada, mostra continuidade da redução do desmatamento em ambos os biomas. No caso da Amazônia, no entanto, não podemos deixar de considerar que houve um aumento em agosto e que esse aumento foi concentrado em um estado, o Pará”, disse o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante a apresentação dos dados.
MMA liga alta à saída da PM
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) associa parte do aumento à retirada do apoio da Polícia Militar do Pará às ações de fiscalização ambiental. Sem esse apoio, operações planejadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em unidades de conservação do leste do estado foram inviabilizadas.
Segundo o ministério, essas unidades vinham registrando aceleração das derrubadas. Em resposta, o MMA e o Ministério da Justiça e Segurança Pública criaram uma força-tarefa com ICMBio, Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança Pública para intensificar as operações na região.
Altamira lidera ranking da destruição
No acumulado de 12 meses até 11/9, o Pará soma 1.100,78 km² sob alerta de desmatamento, a maior área entre os estados amazônicos, segundo o painel TerraBrasilis, do Inpe. O total do bioma no período é de 2.914,58 km².
Quatro municípios paraenses estão entre os dez com maior área sob alerta: Altamira, que lidera com 167,98 km², São Félix do Xingu (113,42 km²), Itaituba (74,03 km²) e Portel (61,92 km²).
Entre as áreas protegidas, seis das sete primeiras estão no Pará. A Floresta Nacional de Altamira lidera, com 27,16 km², seguida pela Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, com 21,71 km², e pela Floresta Nacional do Jamanxim, com 9,90 km².


