Resumo
- A área com alerta de desmatamento na Amazônia caiu para 2.874 km² em 2026, uma redução de 36% em relação ao ciclo anterior e o menor nível da série histórica do sistema Deter (Inpe).
- A retração indicada pelo Deter sinaliza que o Brasil pode registrar a menor taxa oficial de desmatamento da Amazônia desde o início das medições por satélite, em 1988.
- O Pará liderou em área desmatada (987,27 km²), mas teve redução de 25,5%; Mato Grosso (-49%), Amazonas (-46,7%), Acre (-35,3%) e Rondônia (-41,2%) também tiveram baixas, enquanto Roraima registrou alta de 32,5%.
- Entre 2023 e 2026, as operações do Ibama subiram 63%, resultando em R$ 10,3 bilhões em multas, 20.331 km² em áreas embargadas e uma queda de 41% no desmatamento para garimpo.
- O setor ambiental expandiu a fiscalização remota, contratou 311 novos agentes do Ibama com R$ 825 milhões do Fundo Amazônia e contou com ações judiciais da AGU cobrando R$ 618 milhões em reparações.
- Houve o fortalecimento da segurança na Amazônia com o repasse de R$ 318 milhões do Fundo Amazônia para o Plano AMAS e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional.
A área sob alerta de desmatamento na Amazônia caiu para 2.874 km² em 2026, a menor da série histórica iniciada em 2016. O número representa queda de 36% em relação ao ano anterior, quando o índice havia somado 4.495 km². Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados nesta sexta-feira, 7, e se referem aos 12 meses entre agosto de 2025 e julho de 2026 — o “ano fiscal” usado para medir o desmatamento no país.
O resultado reforça a possibilidade de que o Brasil registre, nos próximos meses, quando os dados finais do Prodes forem divulgados, a menor taxa oficial de desmatamento desde o início das medições por satélite, em 1988.
Isso porque o Deter – sistema de resolução mais baixa, usado para orientar a fiscalização em tempo quase real – tem funcionado como indicador antecipado do comportamento do Prodes, sistema que efetivamente calcula a área desmatada e cuja apuração é anual.
“Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, avalia Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Pará tem a menor queda
O Pará concentrou o maior volume absoluto entre os estados amazônicos, com 987,27 km² — mais de um terço de todos os alertas do bioma. Ainda assim, o estado registrou redução de 25,5% em relação ao ciclo anterior, a menor queda percentual entre os estados que tiveram recuo.
Em seguida vieram Mato Grosso (834,41 km², -49%), Amazonas (433,9 km², -46,7%), Acre (153,8 km², -35,3%) e Rondônia (114,3 km², -41,2%). Roraima foi a única exceção entre os estados amazônicos, com alta de 32,5% nos alertas no período.
Fiscalização e combater
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), as fiscalizações do Ibama cresceram 63% entre 2023 e 2026, chegando a 68 mil operações, com 23 mil autos de infração (alta de 71%) e R$ 10,3 bilhões em multas aplicadas. A área embargada pelo órgão soma 20.331 km², e os bens apreendidos, R$ 2,4 bilhões. No período, a área desmatada para garimpo caiu 41%.
A estrutura de fiscalização também foi ampliada: o Ibama recebeu R$ 825 milhões pelo Projeto Fortfisc, financiado pelo Fundo Amazônia, contratou 311 novos agentes e passou a adotar a fiscalização remota, metodologia que permite autuar a partir de imagens de satélite, sem deslocamento de equipes.
Nas unidades de conservação federais, o ICMBio aplicou 10,5 mil autos de infração e 4.210 embargos, que atingiram 417.439 hectares. Na esfera judicial, a AGU ajuizou 111 ações civis públicas contra infratores ambientais e prepara um novo lote de 26 ações, cobrando R$ 618 milhões em reparação.
O governo destacou ainda a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional na Amazônia (CCPI Amazônia) e o repasse de R$ 318 milhões do Fundo Amazônia ao Plano Amazônia: Segurança e Soberania, dos quais R$ 155 milhões foram destinados à Polícia Federal.


