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Home»MEIO AMBIENTE»Calor extremo causou 120 mil mortes no Brasil em 20 anos, diz estudo inédito
MEIO AMBIENTE 25 de junho de 2026

Calor extremo causou 120 mil mortes no Brasil em 20 anos, diz estudo inédito

Pessoas com 65 anos ou mais e crianças são os mais vulneráveis, segundo a Fiocruz
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Resumo

  • O calor extremo foi responsável por cerca de 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019, o que equivale a 0,6% da mortalidade total do período (excluindo acidentes e violência), segundo estudo da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Pessoas com 65 anos ou mais somam mais de 97 mil dos óbitos (cerca de 80% do total atribuído ao calor), devido à maior prevalência de doenças crônicas e menor capacidade de regulação térmica do corpo.
  • Entre as mortes causadas pelo calor, destacam-se as doenças cardiovasculares (34 mil mortes) e respiratórias (24 mil mortes).
  • Registrou-se ainda aumento de internações por problemas respiratórios (como pneumonia) e renais (insuficiência renal por desidratação) na população geral e idosos.
  • O calor extremo gerou uma alta expressiva de internações por gastroenterites (diarreias), ligadas à desidratação e à menor conservação de água e alimentos em crianças (menores de 10 anos):
  • O aumento do calor não é uniforme. O Norte e o Centro-Oeste registram ondas de calor mais longas e frequentes, enquanto o Sul e o Sudeste sofrem com picos de temperatura mais intensos em relação à sua média normal.
  • O relatório reforça a urgência de criar sistemas de alerta em municípios, adaptar os hospitais do SUS e investir em infraestrutura verde (como o programa federal Cidades Verdes Resilientes e arborização urbana) para resfriar as cidades e proteger vidas.

O clima no Brasil mudou e o preço dessa transformação está sendo pago em vidas humanas. Um estudo inédito lançado na semana passada pela Fiocruz e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) revelou que, entre os anos de 2000 e 2019, o calor extremo foi o responsável direto por cerca de 120 mil mortes no País. Isso representa 0,6% da mortalidade total do Brasil (excluindo causas externas como acidentes e violência)

O relatório “Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS” mostra como o aquecimento global deixou de ser uma ameaça futura para se tornar uma crise de saúde pública imediata, que exige uma reformulação urgente das nossas cidades e do sistema de saúde.

Coordenada pelos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, a pesquisa cruzou dados de 5.566 municípios e revelou um aumento consistente na frequência e na intensidade das ondas de calor.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade. De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira”, destaca a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável por conduzir o estudo.

Variações por região

A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas. Contudo, a análise sinaliza que a exposição às ondas de calor não ocorre de modo homogêneo no território nacional. Há variações de frequência, duração e intensidade entre as sete zonas climáticas do País, que foram adotadas neste estudo por sua maior sensibilidade de captar a relação entre saúde e os eventos de ondas de calor.

As regiões Norte e Centro-Oeste enfrentam eventos mais longos e frequentes, enquanto o Sul e o Sudeste sofrem com os picos de temperatura mais intensos em relação às suas médias históricas.

A análise mostra que a sobrecarga térmica deprime o sistema cardiorrespiratório e desidrata o organismo, gerando uma reação em cadeia que lota os hospitais do SUS e, nos casos mais graves, leva ao óbito antes mesmo do atendimento médico.

Diante desse cenário, ministérios e cientistas reforçam que a adaptação urbana é uma questão de sobrevivência. Iniciativas como o programa Cidades Verdes Resilientes e o Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento tentam correr contra o tempo para arborizar áreas urbanas e criar estratégias baseadas na natureza.

Para os especialistas, tratar o clima como pauta de saúde e integrar dados meteorológicos à vigilância epidemiológica municipal são os passos fundamentais para proteger a população e evitar que o SUS entre em colapso nos próximos verões.

Os grupos mais vulneráveis, de acordo com o relatório, são:

  • Idosos (65 anos ou mais): Foram as maiores vítimas, concentrando mais de 97 mil mortes (cerca de 80% do total de óbitos causados pelo calor), devido à menor capacidade de termorregulação e à presença de doenças crônicas.
  • Crianças (menores de 10 anos): Apresentaram forte alta em internações por gastroenterites (diarreias) em todas as regiões, desencadeadas por desidratação e pela deterioração da qualidade da água e alimentos no calor.

As doenças cardiovasculares (34 mil mortes) e respiratórias (24 mil mortes) lideram as causas de óbito. No SUS, também houve aumento expressivo de internações por problemas geniturinários (como insuficiência renal devido à desidratação).

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

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