Resumo
- Nove governos, a Comissão Europeia, a IEA e mais de 40 organizações lançaram a campanha Electrify Now (“Eletrifique Agora”) na Semana de Clima de Londres para acelerar a eletrificação limpa.
- A Turquia, que presidirá a COP31, definiu como meta global que a eletricidade represente 35% do consumo final de energia do planeta até 2035.
- Segundo a Irena, fontes como solar e eólica estão cada vez mais baratas e podem abastecer 92% da eletricidade do mundo até 2050.
- Uma pesquisa internacional revelou que 91% dos líderes de negócios consideram a eletrificação essencial para a segurança energética.
- Cazaquistão, Chade e Trinidad e Tobago anunciaram planos para reduzir a dependência econômica de petróleo e gás.
- O embaixador André Corrêa do Lago confirmou que a eletrificação será um pilar central do roteiro de transição para longe dos combustíveis fósseis que o Brasil entregará antes da COP31, conectando-se aos TAFF Roadmaps lançados em Belém.
Uma coalizão internacional formada por nove governos, a Comissão Europeia e mais de 40 organizações lançou, nesta terça-feira, 23, a campanha global Electrify Now (“Eletrifique Agora”). O anúncio, realizado durante a Semana de Clima de Londres, busca acelerar a transição para sistemas elétricos de baixa emissão de carbono e contou com o apoio de peso dos países anfitriões das próximas conferências climáticas da ONU, como Turquia (COP31) e Etiópia (COP32).
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a iniciativa ao afirmar que eletrificar os transportes, as indústrias e os edifícios é o caminho mais rápido para cortar emissões e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
“A era da eletrificação limpa chegou. A questão é se conseguimos construir as redes, mobilizar os investimentos e entregar a infraestrutura na velocidade necessária”, destacou Guterres.
A eletrificação deve consolidar-se como o tema central da COP31, em Antalya. O presidente indicado para a conferência turca, Murat Kurum, anunciou que a meta de sua gestão será alcançar 35% de eletricidade no consumo final de energia global até 2035.
O plano ganha força com dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), que projeta que fontes eólica e solar — cada vez mais competitivas financeiramente — responderão por 92% da geração global de energia até 2050.
O papel do Brasil
O presidente da COP30, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, celebrou o avanço da pauta e confirmou que a eletrificação terá papel central no roteiro internacional de transição que o Brasil apresentará pouco antes da COP31. A ideia é alinhar a nova campanha aos TAFF Roadmaps (planos de ação para o afastamento dos combustíveis fósseis) lançados pelo governo brasileiro durante a cúpula em Belém.
“Na COP30, vimos de forma muito clara que muitas decisões já nos dão o mandato para seguir nessa direção, e o primeiro Balanço Global concluído na COP28, em Dubai, é a expressão mais clara disso”, afirmou Corrêa do Lago. “Muitas das iniciativas anunciadas em Belém por meio da Agenda Global de Ação Climática já estão promovendo a transição, inclusive por meio da eletrificação.”
Paralelamente ao lançamento da campanha, países produtores de petróleo como Cazaquistão, Chade e Trinidad e Tobago anunciaram que vão estruturar planos para reduzir a dependência econômica do setor de óleo e gás. As nações trabalharão em parceria com a Beyond Oil and Gas Alliance (BOGA) e a NDC Partnership para desenhar estratégias de diversificação econômica em direção a uma matriz limpa.


