O sucesso da COP30 em Belém colocou definitivamente o Brasil no epicentro da estratégia climática global. Após o País projetar diversos cientistas no prestigiado Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a ciência nacional alcança agora um novo patamar de influência: o pesquisador e climatologista Carlos Nobre foi nomeado membro do conselho de desenvolvimento humano do Vaticano.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 30, pelo Papa Leão XIV. Nobre passa a integrar o dicastério — uma estrutura equivalente a um conselho ministerial no Vaticano — dedicado ao Desenvolvimento Humano Integral. Referência mundial nos estudos sobre os impactos do aquecimento global na Amazônia, o cientista é o único brasileiro a compor o novo grupo de conselheiros.
A escolha de Nobre não é fruto do acaso, mas o desdobramento de um diálogo iniciado há anos. Em 2019, o pesquisador esteve em Roma a convite do Papa Francisco durante o Sínodo da Amazônia. Na ocasião, Nobre foi peça-chave ao levar evidências científicas para o centro do debate eclesiástico, reforçando a urgência da pauta ambiental sob a ótica da preservação da vida e da justiça social.
Referência mundial em aquecimento global e bioma amazônico, o climatologista Carlos Nobre acumula mais de 40 anos de pesquisas, com passagens históricas pelo Inpe e atuação como cientista sênior na USP. Sua trajetória é marcada pelo Prêmio Nobel da Paz de 2007, recebido junto à equipe do painel climático da ONU (IPCC).
Agora, ao integrar formalmente o corpo consultivo da Santa Sé, o climatologista brasileiro amplia sua voz em um dos palcos diplomáticos mais tradicionais do mundo, unindo o rigor acadêmico à agenda humanitária do Vaticano.


