Fruto símbolo da Amazônia e presença diária na mesa de milhares de paraenses, o açaí pode ganhar um novo papel na economia sustentável do estado. Em reunião realizada nesta segunda-feira (23), a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) recebeu representantes do setor privado para debater a viabilidade de transformar o caroço do fruto em oportunidade de negócio em larga escala.
O encontro contou com a participação da empresa Flor de Açaí — operadora da marca Oakberry no estado — e da Actus Consultoria. O foco da proposta é a produção de biochar, um biocarvão obtido a partir do processamento térmico do caroço.
Além de ser uma solução para o descarte de toneladas de resíduos sólidos, o biochar é reconhecido por sua alta capacidade de recuperação de solos degradados e pelo potencial de retenção de dióxido de carbono, o que abre portas para a comercialização de créditos de carbono no mercado internacional.
Um problema que pode virar solução
O Pará é o maior produtor de açaí do mundo. Mas, junto com essa produção em larga escala, vem também um desafio: o grande volume de caroços descartados após o processamento do fruto. Esse material representa a maior parte do açaí processado e, muitas vezes, não tem destino adequado.
Embora diversos projetos da bioeconomia paraense já façam o reaproveitamento de resíduos do açaí em forma de papelaria, insumos de construção civil, design de interiores e até como filtro de água, ainda é necessário que essa prática atinja escalas maiores para absorver a produção estadual.
A proposta discutida na reunião busca justamente mudar esse cenário, com o biochar. Na prática, isso significa ampliar as possibilidades de reaproveitamento ao que antes era considerado lixo, reduzindo impactos ambientais e criando novas fontes de renda.
Para o diretor de Atração de Investimentos da Codec, Manoel Ibiapina, o projeto mostra como o açaí pode ir além do consumo tradicional. Segundo ele, ampliar o uso do caroço ajuda a fortalecer toda a cadeia produtiva e abre novas oportunidades de negócios no estado.
“O açaí é uma cadeia com escala produtiva, inserção internacional e elevada relevância econômica para o Estado. Projetos que ampliam o aproveitamento do caroço e o transformam em novos insumos contribuem para expandir o alcance dessa atividade e gerar novas oportunidades de negócio”, cita.
Já o diretor da Flor de Açaí, Carlos Alberto Brito Soares, destacou que o volume de caroços é grande e ainda pouco aproveitado, mas reforçou a importância de entender bem o potencial do material antes de investir.
“É essencial compreender tecnicamente o produto, validar seus componentes e estruturar adequadamente a proposta para que ela possa evoluir com segurança.”
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