O Pará deu início à construção da estratégia estadual para o Plano ABC+ (Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária). Em evento sediado na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, nos dias 5 e 6 de maio, instituições definiram prioridades para a produção sustentável até 2030.
O foco central é a recuperação de pastagens degradadas e a expansão de tecnologias como os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que já devem atingir a meta de 100 mil hectares no estado.
O chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos, defendeu uma ruptura com métodos ultrapassados.
“Não se pode produzir mais como antigamente”, enfatizou. “Hoje, a produção precisa estar baseada na ciência, capaz de integrar tecnologia, produtividade e resiliência climática”, afirmou o gestor, destacando que soluções como bioinsumos e ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) são as ferramentas para essa transformação.
Para o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Giovanni Queiroz, o plano busca conciliar economia e preservação.
“O Pará quer mostrar ao mundo que é possível gerar riqueza preservando o meio ambiente e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. Exemplos práticos disso são o cacau e o açaí produzidos em sistemas agroflorestais”, declarou o titular da pasta.
Desafios técnicos
Um dos maiores desafios técnicos discutidos foi a “estratégia amazônica”: ajustar práticas nacionais às características específicas da região.
De acordo com Victor Thiago Catuxo, coordenador do Programa Estadual de Agricultura de Baixo Carbono, na Sedap, e responsável pelo GGE, práticas consolidadas em outras regiões precisam ser ajustadas às características do bioma e às vocações locais. Entre os avanços já registrados, destaca-se o provável alcance da meta de 100 mil hectares em Sistemas Agroflorestais (SAFs).
Outro desafio relevante é a mensuração de dados, essencial para o acompanhamento das metas. A proposta de uma “estratégia amazônica” busca justamente criar indicadores que reconheçam o esforço de conservação e a complexidade ambiental da região, transformando metas globais em benefícios concretos para produtores e para a sociedade paraense.
Entre as metas prioritárias do estado estão a recuperação de pastagens degradadas e a intensificação de sistemas produtivos sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o Sistema Plantio Direto (SPD). O foco se justifica pelo protagonismo do Pará na pecuária nacional e pelo crescimento da produção de grãos.
Próximos passos
O ciclo de diálogos contará com mais dois encontros até o final de junho. O cronograma inclui uma consulta pública no portal da Sedap para consolidar o plano de metas sob o lema: “Produzir conservando, conservar produzindo.”
Principais Metas e Tecnologias em Pauta:
- Recuperação de Pastagens: Prioridade absoluta devido ao tamanho do rebanho paraense.
- Sistemas Agroflorestais (SAFs): Proximidade da meta de 100 mil hectares.
- ILPF e Plantio Direto: Foco no crescimento da produção de grãos no estado.
- Bioinsumos: Redução de dependência química e aumento da resiliência do solo.


