O compromisso com a preservação ambiental no sudeste paraense acaba de colocar o produtor João Evangelista, o “Rogério”, novamente no topo do ranking mundial. Cultivada em sistema agroflorestal com árvores de mogno, a amêndoa sustentável do assentamento Tuerê, em Novo Repartimento, foi a base para a conquista da medalha de prata no Concurso Internacional Chocolate Awards – Europe, realizado no último sábado, 2, em Bordeaux, na França.
Esta é a 43ª vez que o cacau do Tuerê é premiado, consolidando a estratégia de unir a floresta em pé à alta qualidade gastronômica.
Desta vez, a matéria-prima produzida por Rogério deu vida ao “Chocolate da Região Tuerê 100% Cacau com Cumaru”, da chocolatier Marina Shtoh-Ibri, CEO da La Brigaderie de Paris.

Veterano entre os produtores das 50 melhores amêndoas do mundo, Rogério, já soma mais de 10 prêmios individuais, conquistas que estão expostas em quadros instalados na sala da sua residência no Tuerê.
“Foi muito interessante esse reconhecimento. Eu torço para que meus vizinhos um dia também consigam ser premiados, pois aqui temos as melhores amêndoas. Eu tenho oito hectares de cacau plantados e todo em sistema agroflorestal. Ainda temos aqui 60 árvores de mogno plantadas. Então, é importante esse trabalho para a preservação do nosso meio ambiente”, diz o produto, que recebe assistência técnica da Fundação Solidaridad, que há 10 anos presta serviço aos cacauicultores do Tuerê.
Parceria de sucesso: do grão à barra
Além da prata na categoria de chocolates amargos com infusão, Marina Shtoh-Ibri, CEO da La Brigaderie de Paris recebeu um prêmio especial pela inovação do produto apresentado. Ela disse que se sente orgulhosa em obter essas duas novas conquistas ao produtor João Evangelista.

“Fiquei muito feliz e orgulhosa de poder trazer mais duas medalhas ao produtor. É um trabalho conjunto, o do Sr. João com o cacau dele e o meu, com a minha dedicação ao chocolate e ao terroir de onde ele veio. Neste caso, foi uma prata e uma especial, pela originalidade de fazer algo diferente da maioria (incluir o cumaru num 100%)”, ressaltou.
A parceria nasceu no Salão de Paris em 2022, quando Marina passou a adquirir as amêndoas diretamente do produtor. Foi neste mesmo ano também que a La Brigaderie de Paris ganhou seu primeiro prêmio com o grão Tuerê.
Fortalecimento do setor
O resultado é fruto de um ecossistema de apoio que inclui a Fundação Solidaridad e o Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau), coordenado pela Sedap. Para Ivaldo Santana, coordenador do Procacau, a premiação é uma vitrine estratégica para rodadas de negócios internacionais.
“Ficamos muito felizes com esse resultado, pois o que a gente objetiva é isso: colocar nossos produtores em contato com os interessados em nossas amêndoas. Mostramos que a amêndoa do Pará é a melhor do mundo”, conclui o engenheiro agrônomo.


