O Brasil e a Alemanha selaram uma aliança para monitorar fontes de poluição que antes passavam despercebidas pelos radares convencionais. Assinada em 20 de abril de 2026, em Hannover, a parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) dará vida à Missão Espacial CO2Image.
O grande diferencial da missão é a sua visão aguçada. Enquanto os instrumentos atuais planejam medições com uma resolução de 2 km, o sensor do satélite CO2Image entregará uma precisão de 50 metros. Essa capacidade permite identificar emissões de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) a partir de 1 milhão de toneladas por ano.
“Além das importantes questões científicas, a possibilidade de termos um medidor de gases de efeito estufa em 50 metros amplia nossa capacidade de auxiliar a qualidade do inventário nacional de emissões e de trabalhar esta questão com um conjunto de setores produtivos do país, em particular a indústria de óleo e gás”, disse Antonio Miguel Vieira Monteiro, diretor do INPE.
O Brasil será o responsável pelo “módulo de serviços” (o corpo que sustenta o satélite), utilizando a Plataforma P100, uma estrutura modular para satélites de pequeno porte (até 200 kg) que otimiza custos e tempo de construção.
Já a Alemanha será responsável, pelo DLR, o sensor de alta tecnologia que faz as medições. E a Agência Espacial Brasileira (AEB) vai atuar na coordenação e acompanhamento técnico, garantindo que o projeto siga o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).
A missão não apenas reforça a autonomia tecnológica do Brasil, mas entrega um produto inovador para a agenda climática global.
Ao combinar o conhecimento de 40 anos de engenharia espacial do INPE com a tecnologia alemã, o País se posiciona na vanguarda do monitoramento de emissões, essencial para o cumprimento de acordos internacionais e para a descarbonização da economia.


