O ciclo 2026/27 do cacau mundial, com início em outubro, deve apresentar um superávit de 149 mil toneladas, segundo dados da StoneX. O volume representa uma queda em relação às 247 mil toneladas esperadas para a safra vigente. A estimativa mais conservadora se deve às ameaças climáticas, especialmente ao fortalecimento do El Niño, que pode comprometer a produção.
As projeções mais recentes da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) indicam o retorno do fenômeno El Niño, com alta probabilidade de se manifestar já entre maio e julho. Especialistas e órgãos como a NOAA apontam que o fenômeno pode ter uma intensidade de “forte a muito forte”, assemelhando-se aos eventos históricos de 2015/2016 e 2023.
Para a StoneX, a possibilidade de um evento mais forte e seus impactos recentes na produção, especialmente na África Ocidental, justificam uma estimativa mais conservadora. Na prática, esses eventos podem reposicionar o ranking da produção global das amêndoas.
Na Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, a previsão é de uma safra de 1,83 milhão de toneladas em 2026/27, volume semelhante ao esperado para o ciclo atual. Já em Gana, segundo maior produtor global, a expectativa é de queda na safra, de 630 mil para 595 mil toneladas.
Caso a redução realmente ocorra, o Equador pode assumir a segunda posição no ranking mundial, o país deve produzir 630 mil toneladas no período.
Já no Brasil, a expectativa é de leve crescimento na produção, passando de 215 mil toneladas em 2025/26 para 225 mil toneladas em 2026/27.
No relatório, a consultoria aponta que há risco real de impacto na produção, o que pode alterar a oferta global do cacau. Segundo eles, a estimativa pode ajudar em uma potencial preparação para otimizar recursos.
“Embora ainda esteja cercado de muitas incertezas, a velocidade de convergência dos modelos para um evento potencialmente mais intenso, somada à evidência recente de impactos relevantes sobre a produção, especialmente no Oeste Africano, justifica a incorporação de um ajuste conservador nas estimativas”, disse a consultoria.


