O Pará registrou uma queda de quase 50% nos alertas de desmatamento no primeiro trimestre de 2026. Os dados do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que sinalizam alertas de desmatamento em tempo real, seguem a tendência da Amazônia, que registrou seu segundo menor número da série histórica no primeiro trimestre deste ano.
No início de 2026, a Amazônia sofreu a derrubada de 399,59 km² de floresta, número que só perde para os registros de 2017, onde a destruição foi correspondente a 233,64 km² destruídos. Vale lembrar que, tradicionalmente, os primeiros meses do ano registram números menores devido ao período chuvoso, também chamado de ‘inverno amazônico’. Entretanto, os dados seguem reforçando uma tendência positiva para a região, fruto de ações coordenadas para o controle do desmatamento.
Os alertas do Deter ajudam a conduzir operações contra crimes ambientais, pois permite acompanhar de perto as tendências nas derrubadas em todos os períodos do ano. Então quando falamos que o Pará registrou 498 alertas no primeiro semestre do ano contra 982 no último trimestre de 2025, vemos uma queda numérica expressiva que pode revelar ainda mais detalhes sobre a dinâmica do desmatamento no estado.
Devastação orquestrada
Apesar do recuo expressivo, o Pará segue como principal foco do desmatamento na Amazônia Legal, mantendo ampla liderança em relação aos demais estados. Desta forma, a dinâmica que indica diminuição no ritmo também aponta para uma reorganização no panorama da devastação em diferentes períodos.
Nos dois períodos em questão, o perfil dos alertas também permanece praticamente o mesmo, com liderança do desmatamento com solo exposto, estágio mais avançado da supressão florestal. Esse tipo somou 438 registros no início de 2026, frente a 939 no trimestre anterior, acompanhando a queda geral, mas mantendo sua forte participação.
Já no recorte municipal, os dados mostram redução no volume de ocorrências e pequenas mudanças no ranking, mas com permanência de municípios historicamente críticos.
No fim de 2025, os municípios de Pacajá, Senador José Porfírio e São Félix do Xingu lideravam os registros. Por outro lado, Itaituba e Altamira lideram os alertas de 2026, seguidos por Prainha, Novo Progresso e São Félix do Xingu.
Estabilidade perigosa
Embora os números gerais sejam positivos, o grande perigo está na análise de alerta em áreas protegidas, onde o cenário também se mantém estável. A Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós lidera os alertas emitidos no nos dois períodos: são 14 alertas no fim de 2025 e 15 no início de 2026. Já outras unidades importantes como a como a Floresta Nacional do Jamanxim seguem na mira das mais pressionadas, relevando que o cuidado e a fiscalização nas APAs precisa ser constante e ininterrupto.
Ao todo, há diversos motivos para comemorar pela queda nos alertas, embora no Pará, essa comemoração necessite ser usada como combustível para garantir na manutenção (e avanço) desses índices, visto que a região continua pressionada constantemente, em especial no entorno de áreas protegidas e municípios historicamente ligados a devastação..


