Uma comunidade quilombola de Oriximiná, no oeste paraense, está consolidando uma trajetória de fortalecimento produtivo baseada na organização coletiva e no uso sustentável da floresta por meio dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). A combinação entre conhecimento tradicional e apoio técnico tem permitido avanços importantes na qualidade e autonomia de suas produções, fundamentais para garantir acesso aos mercados consumidores.
Na comunidade Boa Vista do Cuminã, foi implementado um cronograma de organização produtiva e gestão comunitária que gerou benefícios diretos na qualidade da produção e na segurança das unidades, favorecendo seus sistemas de cultivo sustentáveis. A mudança é resultado do apoio técnico promovido pelo Programa Florestas de Valor, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
Uma das etapas iniciais foi a revisão do regimento interno da Unidade de Beneficiamento de Alimentos (UBA), que definiu regras para o uso coletivo da estrutura. A definição fortaleceu a transparência e a gestão compartilhada, criando um ambiente mais seguro para a produção.
Para a analista técnica do Imaflora, Andréia Araújo, as ações conjuntas são fundamentais para melhorar a estrutura organizacional da comunidade. Aplicada, essa melhoria gera reflexos diretos na produção e comercialização de insumos, o que abre caminho para expandir suas rotas comerciais.
“O conjunto dessas ações fortalece a autonomia das comunidades e cria condições mais seguras e estruturadas para a produção e comercialização”, afirma.
Andréia narra que outra etapa desenvolvida na comunidade foi a atualização do Termo de Cooperação entre a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos da Área Trombetas (ARQAT) e o Imaflora, que gera melhorias na segurança jurídica das atividades e garante que o planejamento do termo esteja de acordo com as prioridades locais.
Em outra fase, as unidades de beneficiamento de Boa Vista do Cuminã e Varjão passaram por mutirões de melhorias técnicas para otimizar as condições de processamento dos alimentos. Essas ações incluíram adequações sanitárias e manutenção preventiva da estrutura física, assim como a revisão dos sistemas de energia solar, visando garantir a continuidade da produção e aumentar a capacidade de acessar mercados mais exigentes.
SAFs no centro do interesse
Parte das mudanças também levou à otimização do monitoramento dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) implantados na comunidade. O acompanhamento gerou dados técnicos que norteiam o aprimoramento das práticas produtivas e reforçam a importância do modelo para combinar diversidade, recuperação do solo e geração de renda.
No dia a dia, isso tem aumentado o interesse dos jovens da comunidade sobre o tema, levando à implantação de novas Unidades Demonstrativas de Produção (UDPs) de espécies como cacau, açaí e banana [sugestão], consolidando o modelo produtivo como uma estratégia econômica viável para o território, por aliar a preservação da floresta ao fluxo produtivo durante todos os meses do ano.


