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MEIO AMBIENTE 13 de maio de 2026

Quilombos paraenses unem modernidade e saberes ancestrais para combater a crise climática

Estratégia é combinar sistemas agrícolas tradicionais com novas abordagens de recuperação ambiental.
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União entre pesquisa e ancestralidade gera novas oportunidades nos territórios quilombolas. Foto: Sigla Regina/Acervo Pessoal
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Por Tereza Coelho

E se as respostas para a crise climática global já estiverem sendo construídas? Mas em vez das grandes cidades, as respostas viessem de territórios historicamente invisibilizados, onde a relação com a terra é uma herança viva?

O Pará possui a terceira maior população quilombola do Brasil, onde mais de 135 mil pessoas vivem em territórios que combinam biodiversidade e memória ancestral. Nesses locais, o passado, presente e futuro caminham juntos em meio aos cultivos.

Nessas comunidades, a produção agrícola não segue o ritmo da monocultura nem a lógica da exploração intensiva. Ela se sustenta nos Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs), práticas construídas ao longo de gerações que articulam conhecimento, observação da natureza e equilíbrio ambiental.

São formas de plantar, colher e viver que não tratam o solo como recurso infinito, mas como organismo vivo.

Esses sistemas carregam a herança da diáspora africana e seguem se reinventando no contexto amazônico. O resultado é um modo de produção que respeita os ciclos naturais, preserva a diversidade de espécies e fortalece a autonomia das comunidades, garantindo alimento e continuidade cultural ao mesmo tempo.

Os Sistemas Agrícolas Tradicionais tratam o solo como organismo vivo. Foto: Embrapa

O enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela aproximação entre esses saberes tradicionais e conhecimento científico.

Maicon Oliveira, professor em educação do campo nascido no quilombo São Sebastião Cipoal, em Portel, sabe bem disso. Ele desenvolve um projeto para estruturar um banco de sementes capaz de preservar espécies centenárias da região. Para ele, a relação das comunidades com a terra sempre foi guiada por equilíbrio e continuidade:

“A monocultura e a exploração em grande escala vieram especialmente com essa dinâmica do lucro em primeiro lugar. É algo que você não costuma ver nas comunidades tradicionais porque o pensamento sempre foi central em garantir a qualidade daquele solo para um uso equilibrado, mesmo que não houvesse os mesmos recursos que temos hoje para medir qualidade”, diz.

Maicon explica que o chamado ciclo tradicional de uso da terra podia se estender por décadas, com deslocamentos motivados, não pelo esgotamento do solo, mas pela dinâmica de vida dos grupos.

“Quando a gente leva em consideração o uso da terra para alimentação própria e negociações com comunidades ali das proximidades, a produção era bem menor que o volume industrial. Então havia variedade de culturas, para ter o que trocar o ano inteiro, em um plantio que não desgastava totalmente o solo, que não entrava em exaustão completa”, comenta.

O diálogo entre SAFs e SATs

Na avaliação dele, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) dialogam diretamente com os princípios dos SATs, ao integrar espécies, respeitar microclimas e observar o estágio de regeneração do solo. Mais do que uma técnica agrícola, ele enxerga nesses sistemas uma ponte entre tradição e ciência contemporânea.

“As culturas plantadas em SAFs variam conforme o estado da degradação do solo e o microclima de cada região. Ter a comprovação de que essas práticas ajudam a recuperar esse solo degradado é um presente. Muitos territórios, levados pela lógica do lucro, cederam `às monoculturas e sofreram com o enfraquecimento do solo e os impactos disso na vida das suas populações, como especulação de território, mais adoecimentos por plantar menos ervas curativas. Voltar ao tradicional é um recado para nós, mas principalmente para o mundo”, diz.

Os efeitos dessas práticas aparecem também em escala mais ampla. Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2022, a perda de vegetação nativa em territórios quilombolas foi 81% menor do que em áreas privadas, reforçando o papel estratégico dessas comunidades na conservação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas.

Ainda assim, esse equilíbrio não é estável. Territórios quilombolas seguem sob pressão constante de conflitos fundiários, disputas legais e diferentes formas de violência que ameaçam as continuidades. Nesse cenário, a titulação das terras e a valorização das práticas locais surgem como caminhos centrais de proteção.

Memória: instrumento de resistência

Em Espírito Santo do Itá, em Santa Izabel do Pará, a liderança quilombola Sigla Regina encontrou na memória um instrumento de resistência. Em 2022, a comunidade fundou o Museu da Mandioca da Amazônia, iniciativa que articula cultura, história e preservação ambiental.

“Nós contamos a história da Mandioca na Amazônia e todo seu significado cultural, histórico e ambiental, já que o plantio ajuda a reduzir a emissão de poluentes. Nos posicionarmos com as vantagens das nossas práticas ajuda a afastar quem pretende invadir o território”, explica.

O Museu da Mandioca, em Espírito Santo do Itá, em Santa Izabel do Pará, foi criado em 2022. Foto: Reprodução Instagram

Sigla aponta que a disputa pelo território também passa por narrativas: o que é visto como produtivo ou improdutivo define, muitas vezes, o destino das terras.

“Ainda existe uma mentalidade de que as comunidades ‘desperdiçam’ terras quando há muitas áreas verde ou com alguma coisa que as pessoas não enxergam como algo produtivo de cara, o que leva a conflitos agrários, jurídicos. É cansativo demais, mas é uma luta que as comunidades enfrentam desde que o mundo é mundo”, diz.

Para ela, fortalecer a identidade e a memória ancestral é uma estratégia de sobrevivência. Isso inclui transformar o território em espaço de referência, pesquisa e educação.

“Se reconhecer como referência pode ser um pouco intimidador para povos que passaram séculos se vendo à margem da sociedade, mas isso é importante demais para preservar nossa terra e nosso futuro. Mergulhar na própria história, identificar os processos, mapear seus principais potenciais e ir atrás de parcerias é um recurso de sobrevivência e fé no futuro”, comenta.

Encontro entre mundos

Para Maicon e Sigla, o enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela aproximação entre saberes tradicionais e conhecimento científico. O que antes era tratado como universos separados começa a se encontrar em práticas, pesquisas e novas formas de pensar o futuro.

“Por muito tempo, o conhecimento científico fechava os olhos para o conhecimento caboclo, da mesma forma que nós nos ressentíamos com eles achando que nossa produção era de valor inferior, mas as pesquisas geradas para entender o estresse climático entenderam que existem pontos em comum, onde todos podem contribuir e crescer”, diz Maicon.

Fortalecer a identidade e a memória ancestral é uma estratégia de sobrevivência. Foto: Reprodução Instagram

Sigla reforça que esse diálogo também transforma a percepção das novas gerações sobre seu próprio lugar no mundo:

“Quando a criança ou o adolescente que estão ali entendem que dá para unir os dois mundos, é um universo colorindo se abrindo. Por muitos anos, para um quilombola ter mais educação era necessário renunciar às próprias origens. Ver que é possível trabalhar com a terra e defender o meio ambiente com base na própria origem é um motivo de orgulho e esperança”, declara Sigla.

Maicon vê nesse encontro uma possibilidade concreta de futuro, que passa pela educação, pela bioeconomia e pela valorização dos territórios quilombolas como espaços de inovação.

“É uma grande melhoria contínua: se a educação chega no nosso território, teremos quilombolas na educação formal e que levam esse conhecimento da titulação formal e das oportunidades que ela traz, com base nisso podemos criar tecnologias próprias, empreendimentos sociais, de bioeconomia. Já imaginou o impacto de cadeias inteiras com bases sustentáveis?”, questiona.

Já Sigla resume a força da diversidade como princípio de meio ambiente, sociedade, inovação e oportunidades para o futuro:

“A monocultura é uma mentira que o mercado predatório inventou, nunca foi um único caminho. Nós nascemos plantando mandioca, açaí, banana, pimenta, cacau, feijão, café. A variedade de produção é que nos permitiu chegar aqui e é ela que pode nos ajudar a enfrentar esses problemas climáticos”, declara.

 

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