O Banco do Brasil (BB) lançou uma operação inédita para financiar a restauração de áreas degradadas no País. Por meio de um Nature Bond, ou título da natureza, a instituição levantou US$ 500 milhões, que devem viabilizar crédito para produtores interessados em estratégias como a recuperação de pastagens.
Anunciado na última semana, o valor corresponde a cerca de R$ 2,5 bilhões e, segundo o banco, será devolvido aos investidores em um prazo de cinco anos. A procura foi cinco vezes superior ao volume ofertado, reforçando o interesse do mercado por ativos ligados à agenda ambiental.
O valor captado representa praticamente todo o montante que o BB se comprometeu a levantar no segundo leilão do Eco Invest, voltado à recuperação de pastagens degradadas. Na operação, a instituição ficou com a maior fatia dos recursos subsidiados, cerca de R$ 4,2 bilhões, e assumiu a meta de captar outros R$ 2,6 bilhões no mercado.
Nesse cenário, o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do BB, Geovanne Tobias, destacou o avanço do financiamento de projetos relacionados à natureza.
“A emissão evidencia a capacidade do BB de estruturar uma operação sustentável inédita entre os grandes bancos, com foco na preservação de recursos naturais e na recuperação produtiva de áreas degradadas, além de refletir a confiança do mercado e o nosso protagonismo na agenda ASG e no mercado de capitais”, acrescenta.
O que é Nature Bond?
Na prática, o Nature Bond é um título de dívida emitido no mercado externo para financiar projetos ligados à natureza, seguindo padrões internacionais. No caso do BB, os recursos serão destinados à recuperação produtiva de áreas degradadas.
A operação segue o Framework de Finanças Sustentáveis do Banco do Brasil, que estabelece critérios de transparência, governança e reporte, e foi revisado especificamente para esta emissão.
Crédito a baixo custo
O Eco Invest integra a estratégia do governo federal para dar produtividade a áreas degradadas, ao mesmo tempo em que busca reduzir emissões e adaptar a produção às mudanças climáticas. Para isso, o Tesouro oferece crédito a baixo custo, em torno de 1% ao ano, condicionado à capacidade dos bancos de atrair capital privado adicional.
A iniciativa, baseada na mobilização de recursos privados para projetos sustentáveis, encerrou 2025 com R$ 75 bilhões levantados, dos quais R$ 14 bilhões já foram convertidos em financiamentos.
Avanço na captação
Com a nova emissão, o Banco do Brasil passa a figurar entre os bancos comerciais com maior proporção de dívida ligada à agenda ambiental no mercado global, segundo a instituição.
Em setembro de 2025, o banco levantou US$ 100 milhões no mercado internacional para financiar projetos enquadrados no “Eco Invest Green Repo”, dentro do programa. Na ocasião, o volume total de captações da tesouraria no exterior chegou a cerca de US$ 900 milhões.
“A operação representou uma oportunidade estratégica de atrair capital internacional para viabilizar projetos relevantes para o País e para os clientes do BB, com condições financeiras competitivas”, afirmou o vice-presidente de Negócios de Atacado, Francisco Lassalvia.
Fonte: André Garcia/Gigante 163


