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Home»MEIO AMBIENTE»Falta de acordo na COP17 põe em risco populações vulneráveis à seca
MEIO AMBIENTE 31 de agosto de 2026

Falta de acordo na COP17 põe em risco populações vulneráveis à seca

Especialistas lembram que omissão ocorre em meio ao aumento de secas e aos impactos previstos pelo Super El Niño
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Régua de registro das enchentes e vazantes do Rio Negro no Porto de Manaus mostra em 2023 menor nível desde 1902, efeito das mundaças climáticas. Foto: Antonio Lima/Governo do Amazonas/Secom
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Resumo:

  • A COP17, realizada em Ulaanbaatar (Mongólia), encerrou-se sem um acordo global obrigatório para o combate às secas, postergando as decisões para a COP18, no Egito.
  • Especialistas  classificaram o resultado como “inacreditável” e “frustrante”, destacando que a inação ocorre em meio ao aumento de secas extremas pelo mundo e aos impactos previstos pelo Super El Niño.
  • Nações africanas defendiam a criação de um mecanismo multilateral com apoio financeiro específico para países vulneráveis. Em contrapartida, países ricos e a União Europeia rejeitaram compromissos obrigatórios e novos aportes financeiros externos.
  • Como alternativa ao impasse, foram lançados o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF) — que visa mobilizar até US$ 400 milhões para projetos sustentáveis — e o Índice de Resiliência à Seca (DRI), voltado para a avaliação de riscos em cada país.

Inacreditável. Frustrante. Sabor amargo. Essas foram algumas das palavras usadas por organizações ambientais, representantes da sociedade civil e outros especialistas para avaliar os resultados da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que terminou na sexta-feira, 28, em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

A principal decepção foi o novo adiamento do acordo global para enfrentar as secas e os impactos que isso trará sobre as comunidades.

O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, disse que os governos falharam ao jogar para a COP18, no Egito, novas discussões sobre o problema.

“Isso deixa um sabor amargo, porque a COP termina sem decisões substanciais para lidar com as secas”, disse.

O representante da organização Wetlands Internacional, Richard Lee, disse que a falta de consenso acontece justamente quando o número de desastres pelo mundo não para de crescer.

“É inacreditável. Neste ano, a Europa sofre com uma seca histórica e os níveis de água caíram a patamares recordes no Rio Colorado, nos Estados Unidos. O chamado Super El Niño traz riscos de secas devastadoras do Sul da África até a Amazônia”, avalia Richard.

“Nós acreditávamos que esse cenário forçaria os governos de todo o mundo a agir. Estávamos errados. Adiar a decisão sobre as secas em mais dois anos custará mais do que tempo: comunidades e economias em todo o mundo vão pagar o preço”, complementa.

A especialista em políticas de água da WWF Global, Christine Colvin, aposta na ação conjunta de alguns governos, sociedade civil e instituições financeiras para que o combate às secas tenha algum progresso. Porém, destaca que iniciativas isoladas não são o suficiente.

“É profundamente frustrante que a ambição sobre a seca tenha se esvaziado na COP17. Não foi entregue um resultado significativo e não temos uma base forte para que possamos construir ações”, avalia Christine.

Acordo global sobre secas

A proposta de criar um mecanismo multilateral para enfrentar de forma coordenada as secas é defendida por africanos há, pelo menos, três conferências. Historicamente, o continente é um dos mais afetados pelo problema.

Isso demandaria ajuda financeira para os países mais vulneráveis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que instrumentos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), são estruturados sob o tema de degradação das terras, algo mais amplo do que a seca.

Os países mais ricos, porém, não querem se comprometer com um acordo obrigatório e defendem adesão voluntária. A União Europeia não quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no próprio território.

Iniciativas paralelas

Iniciativas paralelas lançadas durante a COP17 tentam lidar com o problema das secas. É o caso do Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), a primeira plataforma global de financiamento dedicada exclusivamente ao tema.

Criada pela UNCCD e por Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), a iniciativa pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados.

Os investimentos deverão ser direcionados para segurança hídrica, agricultura sustentável, soluções baseadas na natureza e recuperação de terras.

Outra novidade foi a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI). A ferramenta pretende ajudar os países a avaliar sua capacidade de antecipar, se preparar e se adaptar aos períodos de escassez de água.

Fonte: Agência Brasil

COP17 destaque destaque2 DRIF El Niño Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca seca
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