Resumo
- As Terras Indígenas representam 23% da Amazônia, mas concentraram apenas 1,7% (46,96 km²) do desmatamento total, segundo levantamento do Imazon. Quase 60% desses territórios registraram desmatamento zero.
- O desmatamento na Amazônia caiu 23% no calendário de monitoramento (agosto de 2025 a julho de 2026), atingindo o menor patamar dos últimos 11 anos, com 2.702 km² destruídos.
- As Unidades de Conservação responderam por 9% da área desmatada (239,76 km²), tendo 63% de suas áreas sem registro de derrubada. No entanto, a APA Triunfo do Xingu (PA) concentrou 38% de toda a destruição desse grupo.
- Entre os estados, Pará (-30%), Mato Grosso (-24%) e Amazonas (-31%) registraram redução na perda de floresta, enquanto Roraima (+30%) e Maranhão (+17%) apresentaram alta.
- Os danos provocados por fogo e extração de madeira recuaram 93%, caindo de 35.229 km² no período anterior para 2.577 km² no atual.
- Proteger esses territórios é fundamental não apenas para a preservação ambiental, mas também para manter o regime de chuvas em todo o País.
Enquanto o desmatamento avança sobre pastagens e áreas já abertas na Amazônia, as terras indígenas seguem funcionando como uma barreira eficaz contra a derrubada da floresta. Levantamento do Imazon (O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) mostra que, dos 2.702 km² desmatados na região entre agosto de 2025 e julho de 2026, apenas 46,96 km² — ou 1,7% do total — ocorreram dentro de territórios indígenas, mesmo esses territórios ocupando 23% de toda a Amazônia.
Quase 60% desses territórios tiveram desmatamento zero no período, e, entre os 40% que registraram alguma derrubada, apenas 11 passaram de 1 km² desmatado — o equivalente a cerca de 100 campos de futebol. A Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará, teve o maior número entre elas, com 4,44 km².
O período avaliado corresponde ao chamado “calendário do desmatamento”, usado pelos sistemas de monitoramento da Amazônia, que vai de agosto a julho. Em relação ao calendário anterior, quando 3.503 km² de floresta foram destruídos, a devastação caiu 23% — a menor área desmatada em 11 anos, ou seja, na última década. A retração foi puxada, em boa parte, pelas terras indígenas.
As unidades de conservação também mostraram resultado positivo, embora menos expressivo: tiveram 239,76 km² de desmatamento no período, 9% do total da Amazônia, com 63% dos territórios sem nenhuma derrubada registrada. Mas a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, chama atenção pelo lado oposto — sozinha, ela concentrou 38% de todo o desmatamento identificado nesse tipo de território na Amazônia, com 90,87 km² derrubados.
“Esses novos dados só reforçam o papel das terras indígenas e das unidades de conservação como barreiras para o avanço do desmatamento da Amazônia e, consequentemente, a manutenção das chuvas em todo o país. Por isso, é fundamental reconhecer e valorizar a importância desses territórios para a conservação da Amazônia e para a proteção dos serviços ambientais que beneficiam todo o país”, afirma Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Segundo a pesquisadora do Imazon Raíssa Ferreira, o problema na APA Triunfo do Xingu não é novo: a unidade está entre as mais afetadas pela perda de vegetação nativa há anos.
“Situações como essa exigem tanto esforços para evitar que novas áreas de floresta sejam desmatadas quando para restaurar as áreas destruídas”, comenta Raíssa.
Pará segue no topo, mas reduz desmatamento
Entre os estados, Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram 70% de toda a derrubada registrada na Amazônia no período — posição que essas unidades costumam alternar entre si justamente por terem os maiores territórios da região, segundo a pesquisadora do Imazon Manoela Athaide.
“Governos precisam investir em ações constantes e efetivas de fiscalização nesses territórios mais pressionados e punir os responsáveis pelo desmatamento ilegal “, explica Manoela.
Ainda assim, o Pará registrou queda de 30% no desmatamento em relação ao calendário anterior, passando de 1.171 km² para 818 km². Mato Grosso caiu 24% (de 745 km² para 565 km²) e Amazonas, 31% (de 721 km² para 495 km²). Roraima foi na direção contrária, com alta de 30% (de 201 km² para 262 km²), assim como o Maranhão, que subiu 17% (de 104 km² para 122 km²).
Apenas em julho, porém, o desmatamento na Amazônia somou 445 km², um aumento de 26% em comparação com julho de 2025 — mesmo assim, o menor volume para o mês em dez anos, considerando o período entre 2015 e 2024.
Degradação florestal cai 93%
Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal — dano causado por fogo e extração madeireira, sem eliminação total da mata — teve queda ainda mais expressiva: 93%. No calendário anterior (agosto de 2024 a julho de 2025), marcado por recordes de incêndios, a área degradada chegou a 35.229 km². No último calendário, esse número caiu para 2.577 km², a menor cifra desde 2023.
Somente em julho, a degradação recuou de 502 km² em 2025 para 107 km² em 2026 — uma queda de 79% na comparação mensal.


