Por Tereza Coelho
Turismo sustentável, cultura e autonomia feminina se encontram no Pará por meio do projeto Quase Nativa — Expedição Amazônia Paraense. A iniciativa mobiliza comunidades tradicionais em territórios como Soure, Pesqueiro, Algodoal e Marajó, criando uma rede de base comunitária que transforma a valorização cultural em geração de renda, sob a liderança majoritária de mulheres.
Na contramão do turismo predatório, a proposta aposta em experiências imersivas e no fortalecimento das economias locais. Os visitantes são recebidos nas casas dos moradores, participam de atividades culturais e têm contato direto com os modos de vida das comunidades, em uma lógica que prioriza a preservação ambiental e o respeito às tradições.
A iniciativa é baseada no turismo regenerativo, que busca gerar impactos positivos nos territórios, incentivando a conservação ambiental e o fortalecimento social.
Para Julia Monteiro, uma das lideranças locais do Quase Nativa, o projeto valoriza a identidade local e abre caminho para viabilizar parcerias futuras.
“Nosso grande objetivo é colaborar para a autonomia das comunidades. A visibilidade ao turismo local é uma das principais estratégias, por atrair pessoas que podem gerar parcerias ou ajudar no boca a boca, até chegar nessas pessoas que possam auxiliar de forma mais efetiva. Além de fortalecer a autoestima das comunidades e suas expressões culturais”, pontua.
Nova expedição
A próxima edição da expedição já tem data definida: 9 a 14 de novembro. Ao longo de seis dias, os participantes terão acesso a vivências como rodas de carimbó, degustação de pratos típicos, banhos de cheiro, plantio de mudas e conversa com lideranças locais.
Noemi Barbosa é uma das facilitadoras do Quilombo de Mangueiras, localizado em Salvaterra, na Ilha do Marajó. Ela reforça o papel do turismo como ferramenta de transformação e valorização das comunidades.
“Estaremos de braços abertos para compartilhar nossas vivências e o potencial transformador de melhorar a vida no dia a dia em integração com o meio ambiente e técnicas sustentáveis. Por muito tempo houve aquela mentalidade de que era necessário degradar para gerar valor, o que finalmente está sendo refutado em grande escala”, diz.
Parcerias e capacitações
O projeto também conta com apoio institucional de organizações como BNDES, Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Instituto Humanize, Instituto Heineken, Instituto Votorantim, Santander, entre outras.
Além de viabilizar as expedições, as parcerias oferecem capacitações em turismo e ensino de inglês para as participantes, ampliando as possibilidades de inserção no mercado e fortalecimento das comunidades envolvidas. Para Noemi, as capacitações são fundamentais para expandir o público atendido por elas.
“Saber um novo idioma abre a possibilidade de atrair um mundo novo, porque além de falar melhor com visitantes estrangeiros, poderemos criar outros diferenciais nas nossas programações com base no potencial desse público”, declara.
Para mais detalhes sobre o projeto e valores da experiência, basta acessar o Quase Nativa — Expedição Amazônia Paraense nas redes sociais.


