A pecuária brasileira tornou-se palco de uma conexão histórica com a recepção, pelo Imaflora, de uma delegação estratégica da Tianjin Meat Association (TMA) na semana passada. O objetivo central dessa jornada foi consolidar cadeias bovinas que sejam, acima de tudo, transparentes, rastreáveis e rigorosamente alinhadas a critérios socioambientais.
A peça-chave dessa articulação é o “Beef on Track” (BoT), um sistema de certificação internacional lançado em outubro de 2025 que atua como um selo de confiança global. O BoT garante que a carne consumida esteja livre de desmatamento, trabalho análogo à escravidão e ocupação ilegal de terras públicas, elevando a credibilidade do produto brasileiro.
O impacto dessa parceria já é mensurável: os integrantes da TMA assumiram o compromisso de adquirir 50 mil toneladas de carne certificada pelo sistema em 2026, sinalizando o apetite voraz do mercado chinês por produtos que unam qualidade e origem verificável.
Expedição por sustentabilidade
A expedição de oito dias percorreu os contrastes e as potências de São Paulo, Belém e Brasília, mergulhando nos diversos elos da produção nacional.
A agenda teve início em São Paulo, com a apresentação institucional do Imaflora e reuniões com atores estratégicos, como o Ministério Público Federal (MPF), a Agrotools, empresa especializada em soluções digitais para o agronegócio, e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, destacando o papel da governança e da articulação institucional no avanço de cadeias mais responsáveis.
Em São Paulo, a agenda focou na governança, promovendo encontros com o Ministério Público Federal (MPF), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e a Agrotools, especialista em soluções digitais para o setor.
No Pará, a comitiva viveu a realidade da produção extensiva na Amazônia durante uma visita à Fazenda Carioca, em Castanhal. Lá, os chineses puderam observar de perto o manejo de pastagens e o melhoramento genético, degustando cortes produzidos no local e reafirmando o interesse por carne “premium”.
O intercâmbio cultural também teve espaço em Belém, com uma visita à Ilha do Combu para entender a relação entre território e sustentabilidade, além de passeios pelos pontos turísticos locais que ajudaram a contextualizar o ambiente socioambiental da região.
O encerramento da missão ocorreu em Brasília, onde o diálogo técnico e institucional ganhou força em conversas com a NicePlanet sobre ferramentas de monitoramento em diferentes níveis e com Niels Soendergaard, do Insper Agro Global, que trouxe uma perspectiva acadêmica sobre as complexas relações comerciais entre Brasil e China.
Convergência de interesses
A passagem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reforçou o apoio governamental a essa ponte entre nações.
Ao final, o que ficou evidente foi uma convergência de interesses sem precedentes: a crescente demanda chinesa por responsabilidade socioambiental encontra na expertise do Imaflora o caminho ideal.
Essa cooperação não apenas abre portas para mercados exigentes, mas reafirma que o futuro da pecuária bovina brasileira depende de uma produção que saiba aliar, com transparência, qualidade, credibilidade e sustentabilidade.


