Resumo
- O Theatro da Paz (Belém) concorre ao título de Patrimônio Mundial da Unesco junto com o Teatro Amazonas (Manaus), na proposta “Teatros da Amazônia”.
- A candidatura será avaliada entre 24 e 27 de julho durante o evento do Comitê do Patrimônio Mundial, na Coreia do Sul.
- Inaugurado em 1878, no auge do Ciclo da Borracha, foi a primeira grande casa de espetáculos da Amazônia.
- Foi batizado como “da Paz” em celebração ao fim da Guerra do Paraguai.
- Projetado em estilo neoclássico inspirado nas casas de ópera europeias, já recebeu artistas renomados como o maestro Carlos Gomes e a bailarina Ana Pavlova.
- É o maior teatro da Região Norte, tombado pelo IPHAN, reconhecido como patrimônio do Pará e sede de festivais e da Orquestra Sinfônica local.
O Theatro da Paz, um dos maiores símbolos históricos, arquitetônicos e culturais do Pará, pode se tornar em breve Patrimônio Mundial da Unesco, O espaço histórico integra oficialmente a candidatura brasileira ao título, em uma proposta conjunta com o Teatro Amazonas, de Manaus, batizada de “Teatros da Amazônia”.
A avaliação ocorre durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul. O evento, que vai até 29 de julho, analisa 30 novas propostas globais. A apreciação da candidatura brasileira está agendada para ocorrer entre os dias 24 e 27 de julho.
O anúncio internacional reforça o valor do espaço, que já havia sido declarado Patrimônio Cultural Material e Imaterial do Estado do Pará, consolidando sua relevância histórica, artística e simbólica para a região.
Símbolo da Belle Époque na Amazônia
Inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, o Theatro da Paz é um dos monumentos mais emblemáticos do Brasil e a primeira grande casa de espetáculos construída na Amazônia. Localizado na Praça da República, no centro de Belém, o edifício nasceu no auge do Ciclo da Borracha, período de intensa efervescência econômica que transformou a capital paraense em uma das cidades mais modernas e luxuosas do país.
A ideia de erguer um teatro-monumento surgiu para suprir a demanda da elite local, que desejava assistir a companhias de ópera e peças europeias sem precisar sair da região.
Projetado pelo engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães em estilo neoclássico, o teatro foi fortemente inspirado na arquitetura dos grandes palácios de ópera europeus, adaptando-se com maestria à realidade amazônica
O nome “da Paz” foi uma homenagem direta ao término da Guerra do Paraguai (1864–1870). Originalmente, propôs-se o nome Theatro Nossa Senhora da Paz, mas a menção à santa foi descartada pela Igreja para desvincular o caráter profano dos espetáculos à imagem religiosa.
Grandes personalidades das artes mundiais já pisaram em seu palco, como o maestro brasileiro Carlos Gomes (com a famosa ópera O Guarani) e a lendária bailarina russa Ana Pavlova.
Tombado como Patrimônio Histórico pelo IPHAN em 1963 e reconhecido como Patrimônio Cultural Material e Imaterial do Estado do Pará, o Theatro da Paz permanece como o maior teatro da Região Norte e um dos mais importantes do Brasil.
Além de abrigar festivais de ópera de prestígio internacional e apresentações da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, o monumento integra projetos para o reconhecimento de sua relevância histórica em escala global.


