Resumo
- O fungo vassoura-de-bruxa (ou lagartão) ainda é uma grande ameaça para a produção de cacau na Amazônia, região onde o clima quente e úmido favorece a doença.
- Cientistas testaram 25 variedades de cacau em Rondônia e identificaram duas (EEOP 63 e EEOP 65) que são super-resistentes.
- Essas duas variedades conseguiram produzir até 32% mais cacau do que as outras, mesmo crescendo em solos ruins e sob o ataque do fungo.
- Normalmente, a planta precisa escolher entre gastar energia para crescer/dar frutos ou para se defender. Com a genética certa e boa nutrição, ela faz as duas coisas.
- O estudo descobriu que o excesso de nitrogênio serve de “comida” para o fungo, enquanto a falta de boro enfraquece o cacau. Manter o solo equilibrado fortalece a defesa natural da planta.
- Essa combinação de genética e boa nutrição permite colher mais, gastar menos com remédios químicos e produzir chocolate de forma mais sustentável.
A vassoura-de-bruxa (também conhecida na Amazônia como lagartão) é um fungo que destruiu as plantações de cacau na Bahia nos anos 1990 e até hoje atrapalha a produção do fruto, Mas uma nova pesquisa traz uma ótima notícia: dá para produzir muito mais cacau usando menos adubo e remédios contra fungos. O segredo é escolher as plantas com a genética certa.
De acordo com a Agência Fapesp, cientistas de várias universidades e institutos testaram 25 tipos de cacau e encontraram dois tipos que são “super-resistentes” (chamados de EEOP 63 e EEOP 65). Mesmo crescendo em solos ruins e sofrendo o ataque do fungo, eles produziram até 32% mais cacau do que os outros.
Conduzida na Estação Experimental Frederico Afonso (Ceplac), em Rondônia, a pesquisa é apoiada pela FAPESP e liderada por pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), contou com a colaboração de grupos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Porto Velho, Universidade Federal de Rondônia (Unir, campus Rolim de Moura) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam, campus Humaitá).
O segredo está na “alimentação” da planta
A floresta amazônica é quente e úmida, o ambiente perfeito para o fungo crescer. Para piorar, a terra da região costuma ser fraca em nutrientes e muito castigada pelas chuvas fortes.
Normalmente, quando uma planta é atacada por uma doença, ela vive um dilema: ou gasta energia para tentar sobreviver ou gasta energia para dar frutos. Mas esses dois tipos de cacau selecionados conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Os pesquisadores descobriram o motivo:
- Elas se alimentam melhor: Essas plantas conseguem puxar do solo os minerais de que precisam (como cálcio e potássio), ficando mais fortes.
- O perigo do excesso e da falta: O estudo mostrou que quando o cacau tem nitrogênio demais acumulado, isso vira “comida” para o fungo. Por outro lado, a falta de um mineral chamado boro deixa a planta fraca.
O que isso muda na prática?
Como não dá para mudar o clima da Amazônia, a solução é plantar essas variedades que já vêm com um “escudo de fábrica” e cuidar bem da nutrição da terra.
Comendo bem e tendo uma genética forte, o cacaueiro se defende sozinho e continua produzindo bem. Isso ajuda o agricultor a ter mais lucro e protege o meio ambiente, já que diminui a necessidade de usar produtos químicos pesados na plantação.
Fonte: Agência Fapesp


