Resumo
- Uma coalizão internacional apresentou 14 denúncias em quatro países europeus acusando a JBS e parceiros financeiros de lavagem de dinheiro.
- O argumento das entidades é que a comercialização de gado de áreas com desmatamento irregular na Amazônia gera recursos de origem ilícita no mercado internacional.
- As denúncias têm como alvo a controladora JBS N.V. nos Países Baixos, subsidiárias no Reino Unido e instituições financeiras parceiras, como o Banco do Brasil e a gestora BlackRock.
- As acusações baseiam-se em estudo que cruzou guias de transporte de gado com dados de satélite do Inpe, associando 12,5 mil fornecedores diretos e indiretos a 6,5 milhões de hectares desmatados desde 1988.
- Segundo o levantamento, mais de 80% da amostra de fornecedores analisada apresentou supressão de vegetação em Áreas de Preservação Permanente (APPs) ou Reservas Legais.
- Em resposta, a JBS criticou a falta de acesso aos dados brutos e à metodologia do levantamento, afirmando que a omissão impede providências operacionais sobre as alegações.
- A companhia reiterou que monitora via satélite mais de 600 mil km² no Brasil desde 2010, seguindo protocolos do MPF para bloquear automaticamente fazendas com irregularidades ambientais, fundiárias ou trabalhistas.
A JBS se tornou alvo de 14 representações apresentadas nesta quinta-feira, 5/11, em quatro países europeus, acusada por organizações internacionais de lavagem de dinheiro no mercado financeiro. As denúncias alegam que recursos provenientes de fazendas com passivos de desmatamento na Amazônia entraram na cadeia financeira da companhia e de instituições parceiras na Europa.
As ações têm como alvo a controladora JBS N.V., subsidiárias e parceiros do mercado financeiro, incluindo bancos, auditorias e gestoras de investimento como a BlackRock.
As denúncias foram enviadas a autoridades do Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos — sede da controladora do grupo. O embasamento jurídico defendido pela coalizão é que o gado criado em terras desmatadas de forma criminosa constitui bem de origem ilícita, o que obriga instituições financeiras europeias a identificar, barrar e notificar transações vinculadas a esse tipo de operação.
6,5 milhões de hectares desmatados
A ofensiva jurídica tem como base um estudo encomendado à organização AidEnvironment. Ao cruzar registros oficiais de transporte de gado com imagens do Inpe e dados de propriedades rurais em Mato Grosso, Pará e Tocantins, o levantamento mapeou 12.576 fornecedores diretos e indiretos da JBS associados a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988 — a maioria ocorrida antes de agosto de 2008.
O relatório indicou ainda que mais de 80% dos fornecedores analisados na amostra apresentavam supressão de vegetação nativa dentro de Reservas Legais e Áreas de Preservação Per
JBS contesta denúncia
Em nota, a JBS lamentou a atuação das ONGs e afirmou que a falta de acesso aos dados brutos e à metodologia do estudo impede a manifestação detalhada e a adoção de eventuais providências sobre a denúncia.
A companhia reiterou que monitora diariamente seus fornecedores diretos na Amazônia via satélite desde 2010, cobrindo mais de 600 mil km² do território nacional. A empresa destacou que seu sistema segue o protocolo do Ministério Público Federal (MPF) e bloqueia automaticamente propriedades com desmatamento ilegal, embargos ambientais, sobreposição com terras indígenas e quilombolas ou flagrantes de trabalho análogo à escravidão.


