Resumo
- Cientistas da UFPA e da Embrapa mapearam o DNA completo do açaí pela primeira vez, decifrando o funcionamento genético da planta.
- O mapeamento genético vai reduzir o tempo necessário para criar novas variedades de açaí de 24 anos para menos de uma década.
- Os testes descobriram que o “açaí branco” tem o mesmo DNA do roxo, mas com o gene que ativa a coloração natural desligado.
- Os dados serão usados para desenvolver plantas mais resistentes a pragas, adaptadas para cultivo em terra firme e para ajudar indústrias de cosméticos e remédios de forma sustentável.
Cientistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Oriental conseguiram sequenciar, pela primeira vez na história, o genoma completo do açaí. A descoberta funciona como um “manual de instruções” da palmeira e promete acelerar o desenvolvimento de novas variedades do fruto, reduzindo o tempo de pesquisa de laboratório e de campo em até três vezes.
Até então, os pesquisadores precisavam de cerca de 24 anos de testes contínuos no campo para lançar uma nova variedade de açaí mais produtiva. Com o código genético totalmente decifrado, a seleção das melhores plantas poderá ser feita diretamente no computador, encurtando o processo para menos de uma década.
“Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionem como marcadores para evitar a espera de cerca de seis anos até que tenhamos informações sobre a produtividade”, explicou a pesquisadora Elisa Moura, uma das autoras do estudo.
O mapeamento também desvendou segredos biológicos da planta, como o caso do “açaí branco” (que na verdade é verde). Os testes mostraram que ele possui os mesmos genes do açaí roxo, mas com o mecanismo que ativa a cor natural “desligado”.
A partir de agora, o foco das pesquisas será usar esses dados para criar açaizeiros mais resistentes a pragas e, principalmente, plantas adaptadas para o cultivo em terra firme, já que a espécie é nativa de áreas alagadas. Além disso, a indústria de cosméticos e medicamentos poderá usar o DNA para produzir os antioxidantes do açaí em laboratório, de forma sustentável e sem desgastar as florestas.
A pesquisa contou com o financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além dos pesquisadores citados acima, também assinam o artigo: Maria Silvanira Ribeiro Barbosa, Sávio de Souza Costa, Davi Josué Marcon, Adan Rodrigues de Oliveira, Lucas da Silva e Silva, Maria Paula Cruz Schneider, Juarez Antônio Simões Quaresma, Diego Assis das Graças, Adonney Allan de Oliveira Veras, Simone de Miranda Rodrigues e Artur Silva.
Fonte: Embrapa


