Resumo
- A cooperativa Campaxx inaugurou uma fábrica moderna que eleva o processamento de castanha-do-pará de 2 para 3 toneladas por mês no Alto Xingu.
- A estrutura permite fazer a secagem, seleção, quebra e embalagem no próprio território, agregando valor ao produto e melhorando o pagamento dos coletores que antes vendiam a castanha bruta.
- O empreendimento faz parte do Programa Florestas de Valor, realizado pela parceria entre Camppax e Imaflora, com apoio financeiro do BNDES e do Fundo Amazônia.
- O projeto beneficia diretamente famílias extrativistas e comunidades dos povos indígenas Kayapó e Apyterewa.
- Com o selo de beneficiamento local, a cooperativa planeja ampliar sua distribuição para mercados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais e Tocantins.
A Cooperativa Alternativa Mista dos Pequenos Produtores do Alto Xingu (Camppax) deu um salto estratégico em sua atuação com a inauguração de uma nova unidade de beneficiamento de castanha-do-pará. O novo espaço eleva a capacidade de processamento local de 2 para 3 toneladas mensais de castanha beneficiada. Mais do que um ganho estrutural, o empreendimento consolida um modelo econômico que gera renda mantendo a floresta em pé.
O projeto foi viabilizado pelo Programa Florestas de Valor, fruto de uma parceria entre a Camppax e o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), com recursos do BNDES e do Fundo Amazônia.
A grande mudança está na industrialização local: processos como secagem, seleção, quebra e embalagem passam a ser feitos na própria região, evitando a venda da castanha in natura (em estado bruto) para intermediários.
O presidente da CAMPPAX, Raimundo Freire, explica o impacto direto dessa transformação para as famílias locais:
“Antes da nova fábrica, a castanha era comercializada majoritariamente em estado bruto. Agora, a agregação de valor se reflete diretamente na remuneração dos coletores, fortalecendo toda a cadeia produtiva.”
Impacto social e ambiental
A iniciativa apoia diretamente comunidades extrativistas e os povos indígenas Kayapó e Apyterewa, que atuam na linha de frente da proteção dos castanhais e territórios da Amazônia. Para Lucas Faria, analista técnico do Imaflora, o investimento prova a viabilidade comercial da conservação:
“O Programa Florestas de Valor aposta no fortalecimento da sociobioeconomia conciliando conservação da floresta, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Com esta fábrica, a riqueza produzida na floresta permanece no território e beneficia diretamente as famílias locais”, afirma.
Olho no mercado nacional
A história da cooperativa começou pequena em 2017, originalmente focada no cacau, e amadureceu até a construção desta fábrica moderna. O gerente administrativo da CAMPPAX, Padre Danilo, celebra o avanço coletivo:
“Começamos em espaços pequenos e fomos crescendo passo a passo. Hoje temos uma estrutura moderna e organizada, preparada para ampliar nossa produção e alcançar novos mercados”, afirma.
Com a nova estrutura, a cooperativa projeta expandir suas vendas para além das fronteiras regionais, mirando grandes mercados consumidores nos estados de Tocantins, Minas Gerais e São Paulo.
Fonte: Imaflora


