Resumo
- A abertura da Conferência de Bonn (64ª SB64), na Alemanha, priorizou debates para acelerar o roteiro global de eliminação do desmatamento e da degradação florestal até 2030.
- Cientistas e lideranças discutiram seis frentes essenciais propostas pela ciência: priorizar a conservação, alinhar mecanismos financeiros, regulamentar o comércio internacional, dar protagonismo e verbas a povos indígenas e conectar o plano florestal à transição para fora dos combustíveis fósseis.
- O mapa do caminho foi lançado pela presidência brasileira da COP30 para transformar promessas climáticas internacionais em ações práticas e integradas de governança.
- Especialistas do Ipam destacaram que as florestas em pé trazem benefícios climáticos locais cruciais, como regulação de temperatura e manutenção dos fluxos de umidade (segurança hídrica).
- Ao longo de dez dias, as delegações alinharão detalhes técnicos e políticos sobre adaptação (Indicadores de Belém), transição justa (Mecanismo de Ação de Belém) e mitigação (Programa de Sharm el-Sheikh) rumo à COP31.
A abertura da Conferência de Bonn (64ª SB64), na Alemanha, trouxe para o centro dos debates globais a urgência de tirar as promessas climáticas do papel. Em um painel estratégico liderado pelo Woodwell Climate Research Center, com o apoio do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e da EESI, cientistas, diplomatas e lideranças indígenas discutiram um plano prático com seis diretrizes científicas para interromper e reverter a degradação florestal nos próximos quatro anos.
Essa força-tarefa está alinhada à iniciativa lançada pela presidência brasileira da COP30, que desenha um mapa do caminho (roadmap) focado em governança, restauração e financiamento para blindar os ecossistemas globais. O ponto de partida consensual é o foco na conservação: embora plantar novas árvores seja crucial para capturar carbono, proteger a floresta que já está em pé é a resposta mais rápida e eficiente contra o aquecimento global.
Para que essa engrenagem funcione, os especialistas apontam que o mercado financeiro e o comércio internacional precisam jogar no mesmo time da sustentabilidade. Isso significa revisar mecanismos de crédito para que os recursos cheguem diretamente aos territórios protegidos por povos indígenas e comunidades locais, além de criar barreiras comerciais rígidas contra produtos oriundos de cadeias desmatadas.
Da mesma forma, os inventários nacionais de emissões precisam ser aprimorados para rastrear dados de degradação que hoje passam despercebidos pela fiscalização.
A pesquisadora do Ipam e do Woodwell Climate, Ludmila Rattis, alertou que o planejamento não pode se limitar à contabilidade do carbono. Segundo ela, a ciência já comprova que as florestas funcionam como uma infraestrutura climática viva, essencial para baixar as temperaturas locais, conter eventos extremos e alimentar as chuvas que garantem a segurança hídrica de continentes inteiros.
Por isso, a agenda florestal deve avançar colada ao cronograma global de transição para fora dos combustíveis fósseis.
O debate em Bonn também contou com contribuições de João Veras (PNUMA), Ghanshyam Pandey (Green Foundation Nepal) e do líder indígena brasileiro Dinamam Tuxá, que reforçou a necessidade de colocar as comunidades tradicionais no topo das tomadas de decisão e do acesso ao financiamento climático.


