Quem vive e produz no Pará sabe o valor de ver o horizonte verde e sentir o orgulho de uma terra boa, rica e cheia de vida. Proteger a nossa floresta não é apenas uma questão de preservar a natureza; é garantir o sustento do produtor rural que acorda cedo e sabe que a mata em pé é a verdadeira mãe das chuvas que alimentam a lavoura.
No entanto, o futuro desse equilíbrio tão necessário corre sério risco nesta semana, diante de uma forte articulação da bancada ruralista no Congresso Nacional.
Coordenados com o presidente da Câmara, Hugo Motta, parlamentares pautaram para votação nesta terça-feira, 19, um pacote de projetos que atendem exclusivamente aos interesses de uma ala do setor, trazendo retrocessos que podem ser irreversíveis para a conservação.
Para o Pará, o avanço dessa pauta acende um sinal de alerta máximo. Quem pensa no futuro a longo prazo já entendeu que a vegetação nativa funciona como uma infraestrutura produtiva indispensável. Cada árvore preservada ajuda a regular a temperatura e a bombear água para a atmosfera. Sem ela, o solo fica seco, o calor aumenta e o risco de quebra de safra em anos de extremos climáticos — como o El Niño — se torna uma realidade amarga para quem depende da terra.
Apesar de a ciência e a prática mostrarem que o agro moderno precisa da floresta viva, as propostas que estão na mesa da Câmara caminham no sentido oposto. Três projetos de lei (PLs) lideram as discussões:
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PL 2564/2025: Impede o uso de imagens de satélite pelos órgãos ambientais para a realização de embargos remotos, enfraquecendo a fiscalização contra o desmatamento ilegal.
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PL 5900/2025: Concede ao Ministério da Agricultura o poder de vetar regulações ambientais que envolvam espécies exploradas economicamente.
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PL 364/2019: Coloca em risco os campos nativos e outras formações não florestais do país, fragilizando a proteção jurídica dessas áreas.
Especialistas apontam que a aprovação dessas medidas, que se somam a outras flexibilizações recentes como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, favorece apenas o lucro imediato decorrente da degradação, ignorando o rito democrático e o futuro do clima.
Diante de propostas que fragilizam o monitoramento e retiram a proteção de ecossistemas vitais para a estabilidade das chuvas, fica o questionamento: para quem, afinal, o Congresso Nacional está trabalhando? Certamente não é para o produtor que depende da terra saudável e do clima regulado para colher, e muito menos para a preservação de estados com a vocação ambiental do Pará.


