Por Tereza Coelho
Começou, em Belém, o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau — Chocolat Amazônia e do Flor Pará, evento que reúne mais de 500 produtores paraenses e valoriza a produção agrícola e cacaueira do estado. Em uma programação diversa e gratuita que vai até o próximo domingo, 26, é possível fazer compras, conhecer novos produtos e participar de atividades interativas para toda a família.
Ao entrar no evento, uma das primeiras coisas que o visitante vê é a construção de uma escultura de chocolate com 120 quilos feita pelo chef Léo Vilela. Em entrevista ao Pará Terra Boa, ele avalia o evento como uma oportunidade importante de unir o setor e aproximá-lo do público.
“Quando um produtor vem por aqui, ele já sabe exatamente o que fazer, mas para o visitante que está curioso a escultura pode ser aquele primeiro alerta que chama a atenção. É uma honra ser a isca para chamar a atenção para uma cadeia produtiva tão importante”, comenta.

Léo conta que sua escultura representa o boto, figura do folclore amazônico com fama nacional. Ao longo dos quatro dias de evento, ele vai ganhando forma e se transformando em um ser com todos os elementos clássicos da sua representação.
“Ele vai ganhar braços, pernas, o emblemático chapéu, além de toda uma ornamentação com o tema das águas. Ao longo do evento vamos construir todos os detalhes possíveis. Além de bonito, ele simboliza o respeito e a reverência pela cultura da Amazônia”, destaca.
Da roça ao palco principal
Quem for ao festival tem a oportunidade de ver o chocolate de formas inusitadas, por exemplo, numa receita salgada. Diana Gemaque, líder das Guardiãs do Cacau, marca artesanal de chocolates da Comunidade Ribeirinha de Acaráçu, está em parceria com o chef Léo Modesto, de Curuçá, para apresentar um prato inédito ao público: Pirarucu com chocolate branco e ervas amazônicas. Diana conta que já participa do festival há 5 anos e vê um avanço constante na trajetória da marca.
“Somos 8 mulheres na linha de frente e se considerar as famílias no geral, é na faixa de 20 pessoas. É uma alegria ver que, dos nossos quintais, podemos alcançar voos maiores, valorizar a produção da roça e trocar ideias com quem acredita numa produção sustentável de fato”, declara.

Já Léo, que participou de realities culinários em canais de TV de alcance nacional promovendo a culinária amazônica, disse que a parceria com as comunidades está no centro da sua atuação, mas ganhou um novo capítulo com o chocolate.
“O chocolate entrou na minha vida por meio de um outro chef, daí fui conhecendo mais e pensando em como unir com meu trabalho. Eu sou muito grato e admiro demais as Guardiãs porque é uma troca muito genuína e inovadora. Crescer e ter reconhecimento lado a lado com pessoas que a gente admira e que fazem um trabalho com propósito é algo único”, diz.
Em relação o prato inédito que será apresentado neste sábado, 25, Léo conta que fez imersões dentro da comunidade de Acaráçu para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelas mulheres da comunidade e aprender melhor sobre o manejo do chocolate.
“Precisamos nos dispor e mergulhar de cabeça. Tem algumas técnicas e formas de manejo que não conhecia e pude fazer isso lado a lado com elas lá na comunidade. Aprender a valorizar a produção da roça, dos extrativistas e ribeirinhos passa uma mensagem muito importante e o fruto dessa parceria vocês vão conhecer logo logo”, antecipa.
Novos negócios e projeção de mercado
Osny Ramos, da Caupé Chocolates, que já participou de outras edições como produtor de amêndoas, agora chega ao festival como proprietário de marca. Para ele, a mudança de posição atrai novas oportunidades.
“A integração da cadeia produtiva auxilia muito nesse processo porque torna tudo muito mais dinâmico e palpável. Verticalizar esse caminho entre produtor, investidor , exportador e quem faz as vendas no mercado é fundamental para um crescimento pleno do setor”, diz.
Para o Secretario de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca Giovanni Queiroz, é exatamente essa integração entre vários agentes da cadeia a marca registrada do evento
“A cada ano, o número de produtores rurais que também atuam na fabricação de chocolate só cresce. Se antes havia 10, 15 marcas locais, hoje são centenas de todas as regiões do estado. A valorização do setor é um instrumento importantíssimo para valorizar quem faz o sonho ser possível, quem planta e vive dessa produção”, declara.


