As terras indígenas seguem como a principal barreira contra o avanço do desmatamento na Amazônia Legal — hoje a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, esses territórios registraram apenas 44 km² de devastação ao longo de 2025.
O número representa a menor área perdida nos últimos oito anos (desde 2017) e equivale a apenas 1,6% do total de 2.741 km² desmatados em toda a região no ano passado.
A eficiência na preservação chama atenção pelo tamanho da área protegida: as 430 terras indígenas da Amazônia Legal ocupam cerca de 116 mil hectares, o que representa 23% de todo o território amazônico.
os territórios originários tiveram apenas 1,6% da devastação registrada de janeiro a dezembro de 2025, apesar de ocuparem 23% da região.
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, vivem nessas áreas 428 mil pessoas, o que corresponde a 62% da população indígena em territórios demarcados no país.
Para Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, os números reforçam o papel estratégico dos povos originários.
“As terras indígenas são as principais aliadas contra as mudanças climáticas no Brasil. A proteção delas e de seus povos é essencial para enfrentarmos o aumento de eventos extremos, como secas e tempestades”, afirma.
Reivindicações no ATL
O levantamento foi divulgado no contexto do Acampamento Terra Livre (ATL), que aconteceu de 5 a 11 de abril, em Brasília. No evento, as lideranças indígenas reforçam cobranças pela demarcação de terras e pela manutenção de territórios livres da exploração de minerais, petróleo e gás fóssil.
Além dos dados gerais, o Imazon também mapeou os 10 territórios mais destruídos em 2025 para orientar ações de fiscalização.


