Um novo estudo lançado pelo Imaflora nesta semana, com apoio do Instituto Clima e Sociedade e parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e da ForLidar, aponta que combinar medições em campo com tecnologia pode tornar o monitoramento florestal mais rápido, barato e preciso, especialmente com o uso do LiDAR.
Um exemplo prático foi realizado no corredor do rio Xingu (MT) e o resultado do estudo pode ajudar tanto no mapeamento, quanto na construção de políticas públicas no futuro.
Tradicionalmente, técnicos vão até a floresta, medem as árvores, anotam altura e diâmetro e, depois, usam fórmulas para estimar a biomassa e o carbono armazenado.
O grande problema é que esse método é caro e demorado, podendo levar anos para coletar dados em grandes áreas de floresta. Outro problema envolvido é a chance de cometer erros, já que medir a altura de árvores em áreas muito densas pode ter erros de precisão, alterando o resultado em cada mapeamento.
Como o LiDAR ‘enxerga’ a floresta?
O LiDAR é uma sigla em inglês para Light Detection and Ranging, um sistema que usa pulsos de laser para mapear o ambiente.
Instalado em drones ou aeronaves, o equipamento dispara milhares de feixes de luz sobre a vegetação. Esses feixes atravessam as copas das árvores e retornam com informações detalhadas sobre altura, densidade e estrutura da floresta, criando uma espécie de modelo 3D da vegetação.
Isso permite entender melhor a distribuição da floresta, de uma forma que vai além da medição tradicional. Baseado nisso, o estudo mostra que o melhor resultado não vem da substituição do trabalho de campo, mas da combinação entre as duas abordagens.
Enquanto o LiDAR identifica áreas semelhantes dentro da floresta, os técnicos conseguem escolher pontos importantes para medir em campo, tornando o processo mais eficiente e estratégico. Embora sejam menos medições ao todo, elas possuem mais qualidade graças a integração.
Corredor do Rio Xingu como exemplo
Como exemplo, a pesquisa analisou um projeto real de restauração no corredor do Rio Xingu (MT), conduzido pelo ISA. Na área estudada, com mais de 700 hectares, o uso combinado de LiDAR e inventário de campo trouxe ganhos expressivos como: redução de 81% no esforço de campo, queda de 76% no custo por hectare e diminuição de 67% no erro das estimativas.
Além disso, o tempo total do processo também caiu, enquanto a verificação dos dados se tornou até 3,8 vezes mais eficiente.
Outro ponto importante foi a melhoria na precisão espacial. Com os dados em 3D, ficou mais fácil delimitar exatamente onde estão as áreas monitoradas e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
Para Natali Vilas Boas Silveira, coordenadora de Floresta e Restauração do Imaflora, esse debate é necessário para conseguir dados mais precisos, úteis e economicamente viáveis de operar.
“Discutir escala em restauração e carbono passa necessariamente por discutir viabilidade de monitoramento. Não basta querer ampliar área: é preciso conseguir medir com qualidade, consistência e custo compatível”, pontua.
Impacto no mercado de carbono
Esses avanços têm implicações diretas no chamado MRV, sigla para “Monitoramento, Reporte e Verificação” de carbono. Hoje, esse processo ainda é caro e complexo, o que dificulta a expansão de projetos de carbono no Brasil, especialmente em áreas de restauração.
Entretanto, o estudo aponta que o uso de tecnologias como o LiDAR pode ajudar melhorar esse cenário ajudando a reduzir custos operacionais, aumentar a confiabilidade dos dados, facilitar auditorias e permitir um monitoramento em larga escala.
Na prática, a principal conclusão do estudo é que o futuro do monitoramento florestal não está apenas na tecnologia ou no trabalho de campo isoladamente, mas na integração entre os dois, que possibilita gerar estimativas mais confiáveis com menos esforço.
Além disso, a integração promete gerar mudanças importantes para projetos de restauração, financiamento climático e políticas públicas no Brasil.


