Por Tereza Coelho
O açaí, presente há séculos no dia a dia da população paraense, também é um dos principais motores de desenvolvimento sustentável no Estado. Dados de duas pesquisas da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) apontam que a produção do fruto, e seus ganhos, cresceram de forma expressiva nas últimas décadas.
Entre 1987 e 2024, a produção estadual saltou de 145,8 mil toneladas para 1,9 milhão de toneladas, tornando o Pará responsável por 89,5% de todo o açaí produzido no País, assim como de 93,8% do valor total da riqueza gerada pelo fruto em território nacional.
Dentro do Estado, a produção é concentrada em alguns municípios: Igarapé-Miri lidera, com 13,2% do total, seguido por Cametá (7,9%) e Anajás (6,2%). Juntos, dez municípios paraenses respondem por 60% da produção nacional.
Ampla produção e geração de renda
O crescimento do açaí também trouxe ganhos importantes para a economia paraense. De acordo com a pesquisa, o valor da produção passou de R$ 509,7 milhões, em 1994, para R$ 8,8 bilhões em 2024, gerando emprego e renda para milhares de famílias.
No empreendedorismo, o número de estabelecimentos produtores cresceu de 5,2 mil, em 1986, para mais de 81 mil em 2017. A atividade envolve desde pequenos produtores da agricultura familiar até grandes empresas, gerando postos de trabalho diretos e indiretos do plantio, beneficiamento, transporte e comercialização.
No mercado internacional, o açaí paraense também ganha destaque. As exportações cresceram de US$ 334,2 mil, em 2002, para US$ 127,8 milhões em 2024. O preço médio da tonelada exportada também aumentou, passando de US$ 1,1 mil para US$ 3,6 mil.
Açaí é aliado na captura de carbono
Além da importância econômica, o estudo destaca que o açaí também contribui para o meio ambiente, pois seu cultivo tem ajudado na captura de carbono e no reflorestamento de áreas degradadas, especialmente na implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs).
Entre 2015 e 2024, a área plantada com açaí no Pará cresceu de 135 mil para 252 mil hectares., dizem os pesquisadpres Com isso, a capacidade de captura de dióxido de carbono quase dobrou, chegando a cerca de 907 mil toneladas em 2024.
Márcio Ponte, diretor da Fapespa responsável pelo estudo, explica que o fruto tem papel importante no combate às mudanças climáticas.
“O estudo demonstra a liderança nacional e internacional do açaí paraense e desvenda seu papel importante no equilíbrio climático como sumidouro de CO2. Com a expansão das lavouras de açaí plantado, o fruto gera riquezas, constitui uma grande cadeia produtiva que preserva a natureza e agora também gera créditos de carbono, além de ser um dos principais símbolos da cultura paraense”, afirmou.
O que ainda pode melhorar
Entretanto, além da liderança em produção, comercialização e o grande papel cultural do açaí, especialistas apontam que é preciso investir em tecnologia e inovação para que o estado preserve o pioneirismo estratégico em relação ao fruto. Pesquisadores detalhem que o crescimento da produção exige melhorias no cultivo e no processamento.
O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destaca que o avanço econômico deve ser acompanhado de aumento na responsabilidade de fortalecimento da cadeia.
“Esses números mostram a grande potencialidade da cadeia produtiva do açaí para o Pará. Essa liderança traz a responsabilidade de manter e ampliar o nível tecnológico no cultivo, garantindo uma produção sustentável, economicamente viável e ecologicamente correta. Precisamos estar na liderança tecnológica para enfrentar a concorrência futura”, reforça.
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