Em Castanhal, na Grande Belém, o problema provocado por enxames de abelhas e ataques em áreas urbanas foi resolvido integrando educação ambiental e produção rural. A solução sustentável foi possível integrando poder público, agendes educacionais e produtores rurais.
O Secretário Municipal de Agricultura, Francisco Carlos, conta que a iniciativa é inédita e encarada como uma grande oportunidade, já que combate um problema urbano e faz um manejo humanizado desses animais e os direciona ao ambiente rural.
“As abelhas possuem uma importância enorme para o ecossistema e ao mesmo tempo que o ataque delas é perigoso, especialmente nas áreas urbanas, pensamos que o gerenciamento delas poderia fortalecer os produtores, facilitar estudos e colocar nossa Castanhal no mapa de iniciativas sustentáveis concretas no estado”, explica.
Inaugurado no final de 2025 dentro do campus IFPA Castanhal, o espaço vai funciona como um centro de acolhimento e monitoramento de colmeias resgatadas de áreas residenciais ou consideradas de risco, evitando o extermínio das abelhas e contribuindo para a preservação de espécies polinizadoras, essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e para a produção agrícola local.
“A gente traz os enxames que estão na cidade causando problemas e levamos para o apiário municipal. Lá, elas passam por uma análise técnica feita por agentes municipais e equipes do IFPA e depois, essas abelhas serão distribuídas de forma adequada aos agricultores familiares”.
Antes mesmo do lançamento do apiário, mais de 350 caixas foram entregues para apicultores locais na Feira Agropecuária do município. Antônio Fiel, de 51 anos, foi um dos selecionados e reforça que o apoio ao setor é importante para fortalecer a cadeia produtiva.
“O produtor rural que busca fazer um trabalho sustentável e humanizado muitas vezes trabalha sozinho, investindo seus recursos e apostando todas as fichas na educação ambiental e na bioeconomia. Ver que uma iniciativa desse porte finalmente chegou por aqui é uma alegria imensa não só por pelo reconhecimento do poder público, mas também porque alimenta o interesse de outros produtores que possuem interesse na apicultura e não investem por medo”, conta.
Antônio explica que as abelhas com e sem ferrão possuem diferentes papeis na bioeconomia e no fortalecimento da floresta em pé. Ele cita que as abelhas com ferrão (Apis mellifera) são consideradas exóticas e além de produzirem muito mel em favos, costumam se defender picando os invasores. Já as abelhas sem ferrão (meliponíneos) não picam e costumam utilizar potes de cerume para armazenar alimentos, produzem um mel mais líquido e com maiores propriedades medicinais.
“Vai ser lindo demais vendo as crianças e os jovens aprendendo mais sobre o papel das abelhas e conhecer elas de perto. Tenho parentes no centro de Castanhal e em Belém e sei que quando a família vê o enxame na árvore do quintal ou no telhado de casa, vem logo o medo de levar uma ferroada e gerar um acidente mais sério. Esse conhecimento vai fazer muita diferença na vida das pessoas, seja pra não se apavorar e ver as abelhas como uma ameaça imediata, mas também direcionando esses animais para nós, que cuidamos delas o tempo todo”, relata.
Além da geração de renda, o apiário terá papel importante na assistência técnica aos produtores. O acompanhamento das colmeias permitirá que as equipes técnicas possam orientar agricultores sobre manejo adequado, boas práticas produtivas e conservação ambiental, ampliando o conhecimento sobre a importância das abelhas para a polinização das lavouras e para a segurança alimentar. Além disso, o espaço pode ser utilizado por estudantes e pesquisadores como ambiente de aprendizagem prática, desenvolvimento de tecnologias e apoio a políticas públicas voltadas à preservação ambiental, assumindo uma função educativa ao aproximar a população do debate sobre sustentabilidade e uso responsável dos recursos naturais.
O produtor rural reforça que um futuro mais sustentável é fortalecido pelas parcerias e pelas iniciativas individuais. Para ele, a soma de fatores cria uma cadeia de valorização onde todos os agentes podem ser beneficiados diante de uma mensagem clara: a gestão ambiental dá frutos para toda a sociedade.
“A gente pode até começar um projeto sozinho, mas ele não frutifica sem apoio seja da família, poder público, sociedade. Precisamos de todos esses fatores juntos pra dar certo. Quando a pessoa compra o mel, nem sempre ela sabe de todo o processo que foi necessário para ele chegar até ali, mas agora essa oportunidade existe. As pessoas vão comprar mais, produzir mais, ter mais floresta em pé.. se alguém tem vontade de virar melponicultor e não sabe onde começar, espero que esse contato com a ciência e a sustentabilidade seja o empurrão que faltava para se juntar a nós”, declara.


