Foi lançado, nesta segunda-feira, 11/5, o Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos. Fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Embrapa Meio Ambiente, a plataforma digital cruza dados de bacias hidrográficas de todo o Brasil, oferecendo pela primeira vez uma visão transparente e científica sobre como o uso de defensivos agrícolas impacta os rios e o abastecimento humano.
Com mais de 10 mil análises realizadas, o novo painel busca integrar ciência e transparência para identificar riscos e orientar o uso responsável de insumos no agronegócio.
A plataforma é um dos pilares do Pronara (Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos) e já revela um cenário inicial: das análises realizadas, a frequência de detecção de substâncias foi de 7,2% — índice considerado baixo, mas que permite identificar gargalos geográficos e culturas específicas (como citros, milho e soja) que exigem maior atenção.
Para o ministro João Paulo Capobianco, a ferramenta é o elo que faltava entre produção e preservação:
“Trata-se de uma iniciativa construída com forte base científica, o que é muito importante. Esse é um tema que precisamos trabalhar com muita responsabilidade, porque o Brasil é uma potência agrícola global. Mas, sabemos que, no século XXI, competitividade e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas. Produzir alimentos exige também proteger a água, a biodiversidade, os territórios e a saúde humana.”
Avançar com conhecimento
A ministra Fernanda Machiaveli (MDA) destacou que o painel funciona como um mapa do caminho para o governo.
“Com base nos dados, conseguimos perceber onde estão as culturas e os locais em que existe maior nível de contaminação por agrotóxicos e derivados. Esse conjunto de informações, agora disponíveis, oferece um mapa confiável para que a gente possa dar a dimensão que o problema tem.”
A metodologia da Embrapa priorizou áreas de alta vulnerabilidade e ingredientes de alto volume comercial. Robson Barizon, chefe de P&D da Embrapa Meio Ambiente, sintetiza a importância da medição:
“Entendemos que só vamos conseguir avançar nos desafios com ciência, com conhecimento. A gente só consegue gerenciar aquilo que conhece e só conhecemos aquilo que a gente mede. Esse é um passo maduro do Governo do Brasil para que, a partir daqui, se desdobrem iniciativas.”
O monitoramento contínuo permitirá entender tendências e adotar medidas preventivas, fortalecendo a produção agrícola sustentável e a proteção da saúde humana.


