O Brasil registrou queda nos alertas de desmatamento na Amazônia em abril. De acordo com dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), na Floresta Amazônica, a área desmatada foi de 228 km² – um recuo de 15% em comparação a abril de 2025.
O primeiro semestre é caracterizado por taxas mais baixas devido à estação chuvosa – que dificulta a entrada de homens e máquinas na floresta –, além de maior presença de nuvens, que pode prejudicar a precisão das informações obtidas via satélite.
No acumulado do ano, de janeiro a abril, a queda do desmatamento na Amazônia foi de 6%, em comparação ao mesmo período do ano passado. É o segundo mais baixo da série histórica, que começou em 2016.
O Deter emite alertas de desmate para orientar ações de fiscalização. Já os números oficiais são de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e divulgado anualmente.
Apesar da trajetória de redução observada desde 2023, a pressão sobre o bioma continua concentrada em estados estratégicos: o Pará, com 144 km² desmatados no ano, é o terceiro estado que mais desmata no País, atrás apenas do Mato Grosso (255 km²) e Roraima (117 km²).
Especialistas advertem que, embora o período chuvoso tenha auxiliado na contenção dos índices, a fase mais crítica da destruição ocorre entre maio e setembro, durante a estiagem.
O cenário é agravado pela previsão de um El Niño de intensidade moderada a forte, que deve intensificar a seca no Norte do País, elevando o risco de incêndios florestais e novos desmates.
A contenção da perda florestal na Amazônia é considerada o pilar central para que o Brasil cumpra o Acordo de Paris. Em 2024, o desmatamento foi responsável por 42% das emissões de gases do efeito estufa do Brasil, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. O governo Lula tem como uma das promessas chegar ao desmatamento zero até 2030.


