Resumo
- A fumaça das queimadas deixou a poluição do ar 20 vezes acima do limite saudável em Manaus e no interior, forçando a suspensão das aulas presenciais em escolas e universidades.
- Apesar do aumento em relação a 2025 (de 3.611 para 7.815 focos), o volume de fogo está 67% abaixo dos picos históricos e 12% abaixo da média, contido pela queda do desmatamento.
- As autoridades apontam que a maioria dos focos vem de queimadas ilegais e ações orquestradas, incluindo relatos do uso de coquetéis molotov e ameaças a brigadistas.
- Polícia Civil e Governo Federal analisam mais de 120 processos e monitoram redes sociais. Em Autazes, 11 pessoas foram presas suspeitas de provocarem incêndios.
- Tanto o governador Roberto Cidade quanto o ministro João Paulo Capobianco defenderam punição rígida para combater a impunidade e proteger a população e as propriedades rurais.
- Para conter a crise, governo federal lançou um pacote de R$ 14 milhões e aumento da frota, com envio da PF, PRF, Força Nacional do SUS e criação de um Estado-Maior Conjunto.
Escolas fechadas, universidades paradas e um ar difícil de respirar em Manaus. A estiagem forte do El Niño deixou a vegetação extremamente seca, e o avanço do fogo exige uma força-tarefa pesada. Mas, ao contrário do que a cena sugere, este não é o ano com mais fogo da história do Amazonas.
Os números do Inpe derrubam a ideia de recorde. Os focos de incêndio mais que dobraram: foram 7.815 até 12 de outubro, contra 3.611 no mesmo período de 2025. Só que aquele foi um ano de pouquíssimo fogo. O total de agora está 67% abaixo dos picos históricos e 12% abaixo da média histórica.
O fato de não estarmos em um ano recordista em números absolutos mostra que ações de controle e a queda recente no desmatamento ajudaram a segurar um estrago que poderia ser ainda maior.
Ao mesmo tempo, embora o clima seco do El Niño crie o cenário propício para o fogo espalhar, as autoridades deixam claro: o fogo não surge sozinho na floresta. A grande maioria dos focos tem origem em queimadas ilegais para limpeza de áreas. Mas não só, há fortes indícios de incêndios provocados de propósito.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, revelou que a Polícia Civil e o governo federal monitoram redes sociais e aplicativos de mensagem em busca de ações coordenadas.
“Recebemos informações de que havia caminhonetes com pessoas na caçamba colocando coquetéis molotov na floresta. Brigadistas nossos também foram abordados com pessoas dizendo ‘pode apagar o fogo hoje, que amanhã a gente bota de novo’. Então havia claramente uma ação criminosa”, relatou Capobianco.
A Polícia Civil do Amazonas já tem mais de 120 processos em análise.
Para combater esse problema, forças estaduais e federais uniram inteligência e fiscalização em campo. Em Autazes, na Região Metropolitana de Manaus, 11 pessoas já foram presas suspeitas de tocar fogo no mato.
A reação contra a impunidade vem de ambos os lados. O governador do Amazonas, Roberto Cidade, cobrou rigor: “Quem provocar incêndios criminosos precisa responder com todo o rigor da lei”.
Para quem produz corretamente na roça, a punição dessas práticas é essencial, pois o fogo fora de controle pode invadir fazendas e destruir cercas e pastagens.
Quem sofre é a população. A fumaça das queimadas deixou o ar de Manaus e do interior 20 vezes acima do limite saudável, gerando riscos à saúde da população. Por conta disso, escolas públicas e universidades locais precisaram suspender as aulas presenciais para proteger a comunidade.
Pacote de R$ 14 milhões e reforço dos ministérios
Diante da emergência, os ministérios do Governo Federal anunciaram um pacote de medidas em conjunto com o estado:
- Liberação de verbas: O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, confirmou o repasse imediato de R$ 14 milhões para apoio logístico, equipamentos e aluguel de aviões, informando ainda que outros planos somando quase R$ 100 milhões estão em análise para fortalecer a capacidade de resposta local.
- Segurança e reforço militar: O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a mobilização das forças federais: “As Forças vão entrar fortemente e todo o Governo Federal vai apoiar tudo que for necessário”.
- Ações no ar e em terra: A frota de combate subiu de 11 para 16 aeronaves, contando com dois aviões gigantes KC-390 das Forças Armadas, além do envio de efetivos da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional do SUS e montagem de um Estado-Maior Conjunto em Manaus.


