Resumo
- O desmatamento na Amazônia caiu para 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor nível registrado pelo Inpe desde o início das medições em 1988.
- O resultado é 41,8% menor que o do ciclo anterior (5.731 km²) e superou o recorde positivo anterior de 2014 (4.428 km²), sendo 27% menor que este.
- Na comparação com 2022 (11.594 km²), a redução acumulada chega a 71,2%, evitando a emissão de 1,2 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente nos últimos quatro ciclos.
- O Cerrado teve uma diminuição de 23,8% no desmatamento em relação ao ciclo anterior (menos 1.719 km² de área desmatada).
- Entre os estados, Pará lidera o desmatamento com 1.130 km² (33,9% do total da Amazônia), apesar de ter reduzido a taxa em 45,3%.
- Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram cerca de 75% de todo o desmatamento na Amazônia.
- O avanço é atribuído à retomada do PPCDAm em 2023, ao fortalecimento do Ibama, ao uso de embargos remotos por satélite e à maior restrição de crédito rural para propriedades irregulares.
O desmatamento na Amazônia caiu ao menor nível de séries históricas entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira,16. A área desmatada foi de 3.335 km², o menor valor desde o início do monitoramento, em 1988, representando uma redução de aproximadamente 41,8% em relação ao ciclo anterior, quando foram registrados 5.731 km².
O número representa a menor perda de floresta desde começaram os registros em 1988. É 27% menor que a área perdida em 2014 (4.428 km2) que era, até então, a menor registrada.
Considerando quatro anos, a redução do desmatamento na Amazônia alcança 71,2% — em 2022, o bioma havia registrado 11.594 km². Com isso, o Brasil evitou a emissão de 1,2 bilhão toneladas de CO2 equivalente, considerando-se os quatro últimos resultados do Prodes.
No Cerrado, a redução de 23,8% corresponde a aproximadamente 1.719 quilômetros quadrados a menos de vegetação nativa suprimida em relação ao ciclo anterior.
Pará lidera e panorama dos estados
O Pará teve uma redução de 45,3% em relação ao ciclo anterior, quando a área desmatada havia sido de 2.064 km². Mas ainda ainda segue na liderança como o estado que mais desmata na Amazônia Legal: com 1.130 km², o equivalente a 33,9% do total estimado para o bioma.
Em seguida aparecem Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km². Os dois estados também tiveram quedas expressivas, de 46,7% e 46,4%, respectivamente. Juntos, Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram aproximadamente 75% de toda a área desmatada na Amazônia no último ciclo.
Roraima, por outro lado, apresentou um pequeno aumento: a área desmatada passou de 285 km² para 286 km², uma alta de 0,4%. Os demais estados registraram as seguintes estimativas de área desmatada:
- Acre: 252 km²
- Rondônia: 149 km²
- Maranhão: 128 km²
- Amapá: 8 km²
- Tocantins: 8 km²
Em 4 anos, queda foi de 11 mil para 3 mil km²
A queda no bioma da Amazônia também fica evidente quando comparada ao cenário de quatro anos atrás. O desmatamento na região diminuiu 71,2% nesse período: em 2022, a área desmatada havia chegado a 11.594 km². Desde então, foram registradas quedas sucessivas até atingir os 3.335 km² estimados para 2026.
“Temos hoje planos para enfrentar desafios em todos os biomas brasileiros. Estamos fortalecendo as ações do Ibama, ampliando o quadro de pessoal e os recursos para melhorar a fiscalização, com mais tecnologia e inteligência”, afirmou André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Essa redução acompanha o endurecimento da fiscalização e do controle sobre o desmatamento ilegal nos últimos anos. Um dos marcos foi a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).
Criado em 2004, o plano reúne ações de diferentes ministérios e esteve por trás da forte queda do desmatamento entre 2004 e 2014. Na prática, as medidas buscam aumentar o risco de punição para quem desmata ilegalmente.
Entre os instrumentos utilizados estão os embargos remotos: áreas desmatadas sem autorização são identificadas por imagens de satélite e bloqueadas sem necessidade de operação em campo.
Com o embargo, o proprietário fica impedido de usar a área e comercializar a produção. Somam-se a isso a atuação dos estados no controle, o aumento das autuações do Ibama e a maior atenção dos bancos aos dados de desmatamento na concessão de crédito rural — com isso, propriedades irregulares têm mais dificuldade para obter financiamento.


