O governador do Pará, Helder Barbalho, liderou uma comitiva de prefeitos, deputados e lideranças de dez municípios do estado em uma reunião estratégica no Ministério da Agricultura (Mapa), nesta quarta-feira, 11. O encontro resultou em um plano de ação para proteger as cadeias do cacau e do dendê contra importações predatórias e acelerar a exportação de carne bovina para os Estados Unidos.
Resumo das Decisões:
- Cacau: O Ministério revisará a Instrução Normativa 125/2021 (que retirou exigências sanitárias do cacau africano) e acionará a Conab para rever preços mínimos e previsões de safra.
- Carne Bovina: Com o status de zona livre de aftosa sem vacinação, o Pará busca agora a missão oficial norte-americana para habilitar a exportação de carne in natura e industrializada.
- Dendê: Lideranças pedem a suspensão da cota de importação de 150 mil toneladas, alegando que o estado tem produção suficiente para suprir o mercado nacional.
Participaram a reunião, representantes das principais regiões produtoras, incluindo Uruará, Vitória do Xingu, Medicilândia, Senador José Porfírio, Anapu, Placas, Altamira, Brasil Novo, Tucumã, São Félix do Xingu e municípios produtores de dendê.
Cacau: Combate ao risco sanitário
Um dos pontos mais críticos discutidos foi a dispensa do tratamento fitossanitário com brometo de metila para o cacau da Costa do Marfim. Produtores alertam que a medida amplia o risco de contaminação das lavouras brasileiras.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que uma comitiva do Ministério está em missão na África para garantir que as importações não tragam riscos às plantações brasileiras.
“Temos consciência de que a cadeia do cacau envolve milhares de famílias e possui um forte impacto social. Nosso objetivo é encontrar soluções que retomem a viabilidade econômica da cultura, com equilíbrio de mercado e proteção aos produtores”, afirmou.
O ministro afirmou que o Brasil construiu uma reputação internacional como fornecedor seguro e competitivo, e qualquer decisão sobre importações será tomada com responsabilidade
“Não vamos precarizar a questão sanitária em hipótese alguma”, disse
Para o governador Helder Barbalho, o mercado vive um momento de excesso de oferta e queda de preços. Daí a importância de se “proteger o produtor do Pará, garantindo que o cacau continue sendo um grande motor econômico, social e ambiental”.
As quatro ações anunciadas pelo Mapa:
- Segurança Sanitária: Reavaliação imediata dos riscos das importações africanas.
- Revisão do Drawback: Reavaliação do regime que permite a entrada de cacau estrangeiro sem impostos.
- Tarifas e Cotas: Ajuste das taxas de importação para equilibrar o mercado interno.
- Ação Comercial: Promoção do cacau brasileiro em mercados de alto valor, como Suíça, Europa e Rússia. “Vamos sair da defesa e jogar no ataque”, afirmou Fávaro.
Carne bovina: Foco em sustentabilidade
Com o segundo maior rebanho do Brasil, e 23,4 milhões de cabeças de gado, o Pará foca em sustentabilidade para atrair mercados que pagam melhor. O estado exportou 222 mil toneladas em 2025 e quer mais.
“O trabalho realizado nos últimos anos para abrir novos mercados e habilitar plantas industriais tem gerado resultados concretos. O Pará é um exemplo de estado que pode ampliar sua presença no comércio internacional de carnes”, disse Fávaro.
Para Barbalho, a abertura de mercados internacionais também contribui para estimular práticas sustentáveis na produção.
“Quanto mais habilitações internacionais tivermos, mais o produtor vai direcionar sua produção para mercados que pagam melhor. Isso estimula boas práticas e constrói uma política de sustentabilidade baseada em rentabilidade”.
O Mapa agora trabalha para viabilizar a missão técnica dos EUA ao estado para a abertura oficial desse mercado.
Dendê: Valorização da produção nacional
O Pará é o maior produtor de dendê do Brasil, mas enfrenta dificuldades pelo excesso de frutos nas indústrias enquanto o País mantém cotas de importação de 150 mil toneladas.
Representantes da palma pediram a manutenção da taxa de importação atual para garantir a competitividade do setor no Brasil.
“A pauta é que o Brasil processe apenas os frutos produzidos internamente”, explicou Jamir Macedo.
O governador reforçou que a prioridade deve ser o produto paraense para garantir a sustentabilidade econômica do setor.
Fávaro encaminhou o pleito para a Gecex/Camex:
“Vamos verificar as possibilidades com base em dados técnicos, na posição dos estados e das entidades representativas, buscando a melhor solução para o setor”.


