Com o objetivo de alinhar estratégias para o desenvolvimento da economia de base comunitária, a regularização territorial e a desburocratização do acesso ao crédito na Amazônia, gestores públicos, movimentos sociais, o terceiro setor e lideranças tradicionais se reuniram em Belém para o Fórum de Conexões em Sociobioeconomia.
Promovido pela Conexus em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, o encontrou aconteceu na última quarta-feira, 24, discutiu formas para consolidar a transição socioeconômica e estruturar as cadeias produtivas locais frente aos compromissos climáticos globais da região.
A abertura do fórum contou com a presença de Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, que abordou a estrutura do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio) voltada para a governança e a valorização dos produtos locais.
Durante o painel técnico sobre direitos e políticas públicas, Camille Bemerguy debateu a convergência entre governo e sociedade civil para facilitar o fomento e a segurança jurídica na região, destacando:
“A sociobioeconomia na Amazônia só é viável se respeitarmos o tempo, os saberes e os direitos territoriais de quem mantém a floresta em pé. O papel do Estado do Pará, especialmente por meio do PlanBio, é criar pontes estruturadas para que esses produtos cheguem ao mercado com valor agregado justo, transformando ativos ambientais em dignidade social e segurança econômica para as nossas populações tradicionais”, de Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia da Semas,
Valorização territorial e articulação
Júlio Barbosa de Aquino, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), avaliou os conceitos atuais do mercado frente às práticas históricas das comunidades tradicionais, pontuando a relação entre identidade e preservação:
“A bioeconomia para nós não é novidade: é a nossa forma de vida, é a nossa ancestralidade, é a nossa relação com o ambiente e com o nosso território. O nosso território não é apenas terra; é un espaço muito diverso, composto por uma diversidade de culturas e formas de vida. Quando discutimos bioeconomia hoje, temos que pensar o quanto a biodiversidade amazônica é rica e garantir que as políticas valorizem a cesta de produtos da sociobiodiversidade a partir das nossas lutas.”
Assistência aos negócios comunitários
O acesso a linhas de financiamento rurais adaptadas ao contexto local foi apontado como um gargalo estrutural. Fernando Moretti, diretor de Políticas em Sociobioeconomia da Conexus, defendeu a importância de as instituições de fomento atuarem como aliadas da governança local:
“A floresta não precisa de salvador; ela precisa de parceiros que reconheçam o protagonismo dos povos que estão há séculos defendendo, desenvolvendo e cuidando dela”
Por fim, Karoline Barros, coordenadora da Casa Sociobio, contextualizou o papel do fórum como um espaço de articulação institucional e técnica para impulsionar os empreendimentos da região:
“A Sociobioeconomia corresponde a práticas que são parte dos modos-de-vida, culturas e territórios dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares. Espaços como o Fórum Conexões da Sociobioeconomia ajudam a consolidar um entendimento compartilhado sobre esse campo, promovendo trocas qualificadas entre diferentes atores do ecossistema. Ao aproximar saberes, experiências e estratégias, o Fórum fortalece trajetórias individuais, institucionais e coletivas, ampliando as condições para que os empreendimentos da sociobiodiversidade amazônica prosperem.”


