Resumo
- Metade das áreas protegidas mais pressionadas e ameaçadas da Amazônia fica no Pará (6 UCs e 4 TIs). Os demais estados no ranking são Amazonas (1 UC e 5 TIs), Acre (4 UCs e 1 TI) e Roraima (2 TIs).
- A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, liderou tanto o ranking de pressão (desmatamento interno) quanto o de ameaça (desmatamento no entorno) no trimestre analisado (julho a setembro).
- No Pará, as APAs Arquipélago do Marajó e Triunfo do Xingu ocuparam a 2ª e a 3ª posição, respectivamente, no ranking de pressão por desmatamento.
- Entre as 10 territórios com mais desmatamento interno, 4 são terras indígenas: Waimiri Atroari, Andirá-Marau, Vale do Javari e Yanomami, pressionadas principalmente pela agropecuária e pelo garimpo ilegal.
- Além da Resex Chico Mendes, a Flona do Iquiri (AM) e o Parna da Serra do Divisor (AC) lideram o ranking de ameaça.
- O estudo do Imazon utiliza a divisão da Amazônia Legal em células de 10×10 km para diferenciar pressão (desmatamento dentro dos limites) de ameaça (desmatamento num raio de até 10 km no entorno), permitindo antecipar o avanço da devastação.
Metade das áreas protegidas mais pressionadas e ameaçadas da Amazônia está no Pará, somando seis unidades de conservação (UCs) e quatro terras indígenas (TIs). Os outros estados no ranking são Amazonas (uma UC e cinco TIs), Acre (quatro UCs e uma TI) e Roraima (duas TIs).
No Pará, as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Arquipélago do Marajó e Triunfo do Xingu destacam-se na segunda e terceira posições do ranking de pressão por desmatamento na Amazônia no último trimestre (julho a setembro).
O território do Marajó abrange 12 municípios, com maior concentração em Chaves (22%), enquanto Triunfo do Xingu fica entre São Félix do Xingu (65%) e Altamira (35%). A primeira posição geral do trimestre ficou com a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, que abrange sete municípios, com maior parte em Xapuri (32%).
Os dados integram o boletim trimestral “Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas”, do instituto de pesquisa ambiental Imazon. O levantamento monitora o impacto sobre unidades de conservação e terras indígenas na Amazônia Legal, classificando como “ameaça” a perda florestal no entorno (raio de até 10 km) e como “pressão” o desmatamento interno.
“O monitoramento dessas áreas é fundamental para direcionar ações estratégicas de fiscalização e combate ao desmatamento ilegal nos territórios mais pressionados, além de orientar ações preventivas nas áreas mais ameaçadas. A eficácia dessas ações depende de uma atuação integrada entre municípios, estados e governo federal.”, afirma a pesquisadora Bianca Santos, do Imazon.
Entre os 10 territórios mais pressionados da região, quatro são terras indígenas: Waimiri Atroari (AM/RR), Andirá-Marau (AM/PA), Vale do Javari (AM) e Yanomami (AM/RR).
“Mesmo com as quedas no desmatamento que temos observado nos últimos quatro anos, as terras indígenas ainda seguem sendo alvo de invasões ilegais, principalmente para agropecuária e garimpo”, explica Bianca.
Áreas Protegidas com mais pressão
- Resex Chico Mendes (AC)
- APA Arquipélago do Marajó (PA)
- APA Triunfo do Xingu (PA)
- APA do Lago de Tucuruí (PA)
- TI Waimiri Atroari (AM/RR)
- TI Andirá-Marau (AM/PA)
- TI Vale do Javari (AM)
- TI Yanomami (AM/RR)
- APA do Tapajós (PA)
- Resex Alto Juruá (AC)
Em relação ao ranking de ameaça (desmatamento no entorno), a liderança do trimestre também foi da Resex Chico Mendes (AC). A Floresta Nacional (Flona) do Iquiri (AM), localizada em Lábrea, e o Parque Nacional (Parna) da Serra do Divisor (AC), situado em cinco municípios (com 33% em Mâncio Lima), ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente.
“Esses territórios listados como mais ameaçados precisam de ações imediatas para evitar que o desmatamento que avança ao seu redor invada as áreas protegidas. Essas medidas são importantes para que o Brasil consiga cumprir a meta de zerar a derrubada até 2030”, acrescenta Bianca.
Áreas Protegidas com mais ameaça
- Resex Chico Mendes (AC)
- Flona do Iquiri (AM)
- Parna da Serra do Divisor (AC)
- Parna da Amazônia (PA)
- Resex do Cazumbá-Iracema (AC)
- TI Trincheira/Bacajá (PA)
- TI Arara (PA)
- APA do Lago de Tucuruí (PA)
- TI Kulina do Médio Juruá (AC/AM)
- TI Parakanã (PA)TI Kulina do Médio Juruá (AC/AM)
Metodologia permite antecipar avanço
Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de desmatamento nos territórios amazônicos, o estudo sobre Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma metodologia específica.
A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificam quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.
A partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.


