Uma armadilha luminosa feita com lata de leite, tampinhas de garrafa e componentes eletrônicos reaproveitados rendeu a estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), campus Marabá Industrial, o primeiro lugar na categoria que vai do ensino fundamental final ao EJA na 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis. Os vencedores foram anunciados nesta quinta-feira, 17, em cerimônia em Salvador (BA).
O projeto, batizado de EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, nasceu de uma conversa simples entre o professor Ríguel Contente e os alunos.
“Eu conversei em sala de aula com os alunos: como é na casa de vocês essa questão de mosquito? E é muito ruim para eles, porque a maior parte mora em áreas periféricas e, aqui em Marabá é muito quente. As pessoas têm que abrir a janela à noite, tem todo aquele incômodo da presença de muito mosquito na residência”, contou o professor.
A partir dali, a turma passou pelo diagnóstico do problema, a construção de protótipos, testes com diferentes cores de LED e o registro e identificação dos insetos capturados — um processo de ciência aplicada do início ao fim.
Como funciona a armadilha
A estrutura é simples e barata: uma lata de leite como corpo externo, uma tela colocada embaixo, pés feitos de tampas de garrafa e uma fonte de 12 volts reaproveitada de aparelhos descartados, além de um pequeno ventilador e lâmpadas. A tecnologia dispensa o uso de inseticidas e é pensada para ser acessível e fácil de replicar.
“Tem a parte de desenho técnico, estudar como fazer o desenho da armadilha. Depois tem que ir para a parte experimental, ver qual é a lâmpada que vai ter a melhor eficiência de atração de mosquito. Fizemos várias réplicas com lâmpada vermelha, verde, roxo, azul, e espalhamos pela escola”, relatou Ríguel.
Ciência além da sala de aula
Para o professor, o projeto aproximou os estudantes de disciplinas que muitas vezes parecem distantes do cotidiano.
“Os alunos também tiveram experiência com estatística, saber o que é uma média, o que é um índice, fazer gráficos e tabelas. E tem a questão de saber identificar os mosquitos, então o aluno tem que conhecer a zoologia”, lembrou, acrescentando que os estudantes puderam apresentar os resultados em congressos e feiras.
Segundo o IFPA, a iniciativa já impactou cerca de 3,5 mil pessoas, e o próximo passo é levar o equipamento para além dos muros da escola.
“Além dessa parte educacional, que teve um impacto muito bom para os alunos, a gente vai agora para a extensão, que é levar esse equipamento para as pessoas [de fora da escola]. O primeiro beneficiado foi a própria escola, porque a gente espalhou essas armadilhas nos espaços”, contou o professor.
Outra categoria
Na categoria que vai da educação infantil aos primeiros anos do ensino fundamental, o prêmio ficou com a Casa da Infância, de Salvador (BA), por um projeto de intercâmbio educativo entre quatro escolas do Brasil e da Colômbia.
A iniciativa, batizada de Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras, envolve coleta de resíduos, compostagem, hortas escolares e mapeamento da biodiversidade, além de encontros presenciais e virtuais e troca de cartas em português, espanhol e inglês entre as escolas participantes.
Sobre o prêmio
Ao todo, dez projetos foram finalistas nesta edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, aberto a escolas públicas e privadas. As duas vencedoras seguem agora para a etapa internacional da competição, que acontece na Cidade do México em 2 de dezembro.
A premiação é uma iniciativa da Fundação Santillana, da Santillana e da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
“A ideia é mostrar que sustentabilidade não é só meta global, grandes projetos internacionais. Sustentabilidade é algo que acontece perto de nós também. Isso acontece quando estudantes, professores, crianças, olham situações da sua comunidade e pensam em estratégias para corrigi-las”, explicou Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil.
Com informações da Agência Brasil


