Resumo
- Os alertas de desmatamento na Amazônia subiram 12% em agosto em comparação com o mesmo mês de 2025, saltando de 319 km² para 358 km² (dados do Deter/Inpe).
- De janeiro a agosto, porém, o desmatamento caiu 31% em relação a 2025 (2.041 km² no total); a taxa trimestral (junho-agosto) também recuou 20,4%.
- A alta mensal foi impulsionada pelo estado do Pará, que teve salto de 109,4% nos alertas de desmate (de 74 km² para 155 km²) e respondeu por 43,3% da área sob alerta no trimestre.
- O Ministério do Meio Ambiente atribuiu o aumento no Pará à retirada de apoio da Polícia Militar local a operações do ICMBio; em resposta, os ministérios do Meio Ambiente e da Justiça criaram uma força-tarefa com órgãos federais.
- Na comparação de agosto (2025 vs. 2026), o Amazonas ficou estável (71 km² para 75 km²), Mato Grosso caiu (98 km² para 58 km²) e o Acre passou de 32 km² para 37 km².
Análise dos dados: Segundo o ministro João Paulo Capobianco, dados de um único mês no Deter não indicam tendência estrutural, devendo ser priorizada a análise trimestral, que segue em queda.
Perfil e causas do desmate: O desmatamento no bioma foca em terras públicas e áreas protegidas invadidas; a redução acumulada é creditada ao fortalecimento da fiscalização e restrições financeiras a infratores nos últimos quatro anos.
Os alertas de desmatamento na Amazônia subiram 12% em agosto deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025, passando de 319 km² para 358 km² de vegetação nativa perdida. Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
O Deter emite alertas para orientar ações de fiscalização; os números oficiais e mais precisos de desmatamento vêm de outro sistema do instituto, o Prodes, divulgado anualmente.
Mesmo com a alta em agosto, o acumulado do ano segue em queda: de janeiro a agosto, o desmatamento na Amazônia caiu 31% na comparação com o mesmo período de 2025, somando 2.041 km² até o momento. Julho, agosto e setembro concentram historicamente a maior parte do desmatamento na região, por serem os meses mais secos, o que facilita a remoção da vegetação.
O aumento concentrou-se no Pará, que passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, esse crescimento de 109,4% no desmatamento do estado está parcialmente associado à retirada do apoio da Polícia Militar do Pará, que levou à inviabilização de operações de fiscalização planejadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em unidades de conservação do leste do estado, que vinham apresentando aceleração das derrubadas.
Em resposta, o MMA e o Ministério da Justiça e Segurança Pública instituíram uma força-tarefa para intensificar, nos próximos dias, as operações na região, com a participação do ICMBio, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública.
Outros estados amazônicos registraram queda ou estabilidade no número de alertas de desmatamento, na comparação entre agosto de 2025 e 2026: o Amazonas permaneceu estável, passando de 71 km² para 75 km²; assim como o Acre, que passou de 32 km² para 37 km². No Mato Grosso, o desmate caiu de 98 km² para 58 km².
Considerando o trimestre junho-agosto de 2026, houve redução nos alertas: foram 1.044 km², contra 1.312 km² registrados no mesmo período de 2025 – uma redução de 20,4%. Nos três meses, o Pará respondeu por 43,3% da área sob alerta em agosto, seguido pelo Amazonas (20,9%), Mato Grosso (16,2%) e Acre (10,3%).
“O dado de um mês no Deter não deve ser considerado, individualmente, um indicador estruturado de tendência. A avaliação trimestral, a mais indicada, mostra continuidade da redução do desmatamento em ambos os biomas. No caso da Amazônia, no entanto, não podemos deixar de considerar que houve um aumento em agosto e que esse aumento foi concentrado em um estado, o Pará”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
Como se dá o desmatamento
Diferente do que ocorre em outros biomas, o desmatamento na Amazônia se concentra em terras públicas não destinadas e em áreas protegidas invadidas. A legislação ambiental também é mais restritiva na região: o Código Florestal permite desmatar até 20% da área de um imóvel na Amazônia — limite bem mais baixo do que o aplicado a outros biomas do país.
Especialistas atribuem a queda no acumulado do ano à retomada de políticas governamentais nos últimos quatro anos, como planos de controle do desmate, recomposição de quadros e orçamento dos órgãos de fiscalização, além de restrições financeiras a desmatadores.


