Resumo
- A agência climática dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 95% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e dezembro de 2026, com 75% de probabilidade de alcançar um patamar histórico sem precedentes desde 1950.
- Dados subsuperficiais mostram águas mais de 10°C acima da média, fator que deve prolongar a duração do fenômeno e espalhar temperaturas elevadas globalmente.
- Monitorado por um painel conjunto de instituições nacionais, o fenômeno deve seguir ativo até o início de 2027, provocando chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte do país.
- A combinação de calor intenso e escassez de chuvas nas regiões central e norte pode agravar o déficit hídrico e atrasar o retorno da estação chuvosa na Amazônia Legal e no Pantanal, aumentando a vulnerabilidade ao fogo.
A chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e dezembro de 2026 subiu para 95%,, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira, 10, pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos.
O fenômeno continuará se intensificando e há 75% de chance de que, entre outubro e dezembro, alcance uma intensidade histórica, superando os registros desde 1950. Embora um evento desse porte amplie os riscos climáticos, a entidade lembra que a gravidade exata dos impactos ainda é incerta.
O relatório também destaca que, abaixo da superfície, a água está mais de 10°C acima da média. Esse grande volume de calor acumulado deve prolongar a duração do fenômeno e espalhar temperaturas mais altas pelo planeta.
No Brasil, os efeitos do fenômeno são monitorados pelo Painel El Niño 2026-2027, que reúne informações de instituições como INPE, INMET, Cemaden e ANA. De acordo com o último boletim, o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
A previsão para setembro a novembro indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte do País, além de temperaturas acima da média em grande parte do território.
As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o território nacional.
A combinação de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média nas regiões central e norte do País pode intensificar o déficit hídrico e aumentar o risco de incêndios florestais, especialmente caso ocorra atraso no início da estação chuvosa,.
Na Amazônia Legal e no Pantanal, o trimestre setembro-outubro-novembro normalmente marca a transição do período seco para o chuvoso. A atuação de um El Niño mais intenso e prolongado pode atrasar esse processo, mantendo as condições de estiagem por mais tempo e deixando o solo e a vegetação mais suscetíveis ao fogo.


