Resumo
- Previsão de chuvas abaixo da média, rios baixos e temperaturas elevadas na Região Norte entre setembro e novembro devido a um episódio muito forte de El Niño.
- Rios rasos ameaçam a navegação e o escoamento de produção; o governo aplicou R$ 173 milhões em dragagem (Solimões, Madeira, Amazonas e Tapajós) e monitora estoques de combustível.
- Destinação de R$ 582 milhões (via Novo PAC e Fundo Amazônia) para água rural, sistemas sanitários e soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
- Investimento de R$ 65 milhões para 350 mil cestas de alimentos a povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, além de R$ 850 milhões para estoques públicos de milho e arroz.
- Instalação de três bases da Força Nacional do SUS (Belém, Manaus e Porto Velho) e dois Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Belém e Santarém para monitorar calor, seca e fumaça.
- A área queimada no Norte caiu 33,7% até agosto de 2026 em relação à média histórica; a estrutura federal conta com R$ 521 milhões repassados a estados/municípios, 272 bases, 4.410 brigadistas e 49 aeronaves.
- Prefeitos e governadores foram orientados a atualizar planos de contingência e criar salas de situação locais; a Defesa Civil já reconheceu 199 situações de emergência na região em 2026 para liberação de recursos.
Chuva abaixo da média, rios mais baixos e temperaturas elevadas: é esse o cenário que o governo federal projeta para a região Norte entre setembro e novembro, quando um episódio “muito forte” do El Niño deve atingir a região. O diagnóstico é resultado do cruzamento de dados de sete instituições — Inpe, Inmet, ANA, Cemaden, SGB, Censipam e Sedec.
Assim como o Norte, cada região do País apresenta um cenário diferente e desafiador diante do fenômeno, que segundo a ONU anunciou nesta quinta-feira tem 100% de chance de ser muito forte. Diante disso, o governo federal anunciou medidas para cenários distintos, após se reunir com gestores estaduais e municipais para alinhar planos de prevenção, repasse de recursos e medidas emergenciais.
Rios mais rasos ameaçam logística e abastecimento
Um dos efeitos mais sensíveis da seca prevista é sobre a navegação — meio de transporte do qual boa parte da região Norte depende para escoar produção e receber insumos. Para reduzir esse impacto, o governo já aplicou R$ 173 milhões em dragagem dos rios Solimões, Madeira, Amazonas e Tapajós entre 2023 e 2026, e monitora os estoques de GLP e diesel para acionar planos de contingência em municípios de difícil acesso fluvial.
Na área de segurança hídrica, o Novo PAC e o Fundo Amazônia preveem R$ 582 milhões para a Região Norte. Desse total, R$ 181 milhões serão destinados a ações de água rural, R$ 330 milhões à implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões a soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
Para reforçar a resposta, o governo conta com aeronaves pré-contratadas de prontidão para reforçar o atendimento emergencial.
O plano prevê também um investimento de R$ 65 milhões para a compra e distribuição de 350 mil cestas de alimentos para povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Além disso, foram destinados R$ 850 milhões para garantir estoques públicos de alimentos, como milho e arroz.
Saúde ganha bases de resposta rápida em três capitais
O impacto do clima extremo sobre a saúde também entrou no planejamento. Três bases da Força Nacional do SUS (ForSUS) serão montadas no último trimestre do ano — em Belém (PA), a partir de setembro; em Manaus (AM), em outubro; e em Porto Velho (RO), em novembro —, além de dois Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), em Belém e Santarém, dedicados a acompanhar os efeitos de ondas de calor, seca e fumaça sobre a população.
Incêndios: alerta permanece
Ainda que o cenário à frente seja de risco elevado, o histórico recente traz um dado positivo: entre 1º de janeiro e 23 de agosto de 2026, a área queimada no Norte somou 1.644.916 hectares, 33,7% abaixo da média registrada no mesmo período entre 2012 e 2025, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Para sustentar esse resultado durante o pico do fenômeno, o governo já repassou R$ 521 milhões a estados e municípios voltados ao combate a incêndios florestais, somados a uma estrutura federal de R$ 1,023 bilhão em 2026, com 272 bases operacionais, 4.410 brigadistas e 49 aeronaves.
O que muda para prefeitos e governadores
Estados e municípios foram orientados a atualizar seus planos de contingência e montar salas de situação locais — passo necessário para acessar recursos emergenciais. Até 21 de agosto, a Defesa Civil Nacional já havia reconhecido 199 situações de emergência na região Norte neste ano: 23 por estiagem ou seca e 176 por enxurradas e chuvas intensas. É esse reconhecimento oficial, registrado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), que autoriza municípios a solicitar recursos adicionais da União.


