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Home»MEIO AMBIENTE»Técnicos da Funai pedem anulação de licença para Belo Sun minerar ouro no Xingu
MEIO AMBIENTE 1 de setembro de 2026

Técnicos da Funai pedem anulação de licença para Belo Sun minerar ouro no Xingu

Órgão cobra análise dos possíveis impactos da mina sobre 20 comunidades indígenas na Volta Grande do Xingu
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Área de acampamento da mineradora Belo Sun Foto: Belo Sun/Divulgação
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Resumo

  • Técnicos da Funai pediram a suspensão ou anulação da licença ambiental da Belo Sun — maior mina de ouro a céu aberto do país —, concedida pela SEMAS-PA na Volta Grande do Xingu (PA).
  • Segundo o órgão, a mineradora deixou de incluir ao menos 20 comunidades e aldeias indígenas em seus estudos de impacto, sendo a maioria localizada em áreas ainda não homologadas.
  • O projeto ainda apresentaria pendências graves sobre o consumo e captação de água, a estrutura de processamento do ouro e a segurança da barragem de rejeitos.
  • Outro questão é que a Norte Energia apontou riscos de contaminação e incompatibilidade entre a mina e a usina hidrelétrica, afetando os peixes e a vazão do rio Xingu.
  • A insuficiência desses estudos já havia sido denunciada pela DIGAT há seis anos, mas a gestão anterior da Funai (presidida por Marcelo Xavier) havia forçado a exclusão dessas comunidades do processo de licenciamento.

Técnicos da Funai  pediram a suspensão ou a anulação da licença de exploração concedida a Belo Sun – maior empreendimento de ouro a céu aberto do Brasil, na região da Volta Grande do Xingu, no Pará. A justificativa é que a mineradora não analisou os potenciais impactos da mina sobre as comunidades indígenas em seu entorno. Além disso, os técnicos assinalam pendências de informação em pontos centrais do projeto, como o uso de água, o processamento do minério e a barragem de rejeitos.

A Agência Pública teve acesso ao ofício enviado pela Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat) da Funai à Procuradoria Federal Especializada junto ao órgão em 7 de agosto.

Segundo a Digat, a Belo Sun ainda não apresentou informações claras para avaliar os impactos da mina e garantir que os Povos Indígenas sejam consultados com conhecimento efetivo sobre as possíveis consequências do projeto.

Por isso, a diretoria defende que a licença concedida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS-PA) ao empreendimento seja suspensa ou anulada, até que as pendências sejam resolvidas.

Entre as questões não resolvidas, o ofício indica que persistem divergências quanto à captação de água do empreendimento, além de faltar uma definição consolidada da estrutura de beneficiamento do ouro.

Outro ponto é a relação do empreendimento com a hidrelétrica de Belo Monte. A Norte Energia, que administra a usina, já apontou incompatibilidades entre os dois projetos, com riscos à qualidade e à vazão de água e aos peixes, além do risco de contaminação no trecho de vazão reduzida do Xingu.

Os técnicos da Funai também reforçam que pelo menos 20 comunidades e aldeias indígenas não foram contempladas nos estudos da Belo Sun. A maior parte vive em áreas ainda não formalmente reconhecidas como Terras Indígenas – o que não prejudica seu direito de ser consultada sobre o projeto.

O alerta sobre a insuficiência dos estudos da Belo Sun já havia sido feito pela Digat há seis anos. Naquela ocasião, no entanto, a gestão do então presidente da Funai, Marcelo Xavier, interveio no processo e validou a exclusão dessas comunidades do licenciamento ambiental.

 

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