Resumo
- A Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), realizou uma ação pedagógica com 60 estudantes do 5º ano para lançar o “Árvores do Brasil”, um jogo de cartas que une ciência e educação ambiental.
- O jogo foi desenvolvido pela organização francesa Cirad, em parceria com a Embrapa e a Esalq, apresentando textos bilíngues (português e francês).
- As cartas detalham informações científicas, usos, grau de ameaça e longevidade de 34 espécies de árvores nativas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
- Além de jogarem, os alunos manusearam amostras de sementes e folhas, e visitaram o bosque da instituição para identificar espécies como o pau-brasil, o ipê-amarelo e o mogno.
- esquisadores e professores destacaram que a combinação do jogo com a vivência prática facilita a introdução de conceitos ecológicos complexos e desperta a consciência sobre a conservação ambiental.
A sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), transformou-se em um laboratório ao ar livre na última quarta-feira, 10. Diante de perguntas como “Essa semente voa?! Quantos anos as árvores vivem? O que é valor de uso?”, cerca de 60 alunos do 5º ano da Escola Municipal Ruy da Silveira Brito participaram de uma dinâmica educativa para o lançamento regional do jogo de cartas “Árvores do Brasil”, uma ferramenta pedagógica que alia conhecimento científico, preservação e diversão.
Com formato bilíngue (português e francês), o material didático aborda 34 espécies arbóreas distribuídas por quatro grandes biomas nacionais: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. As cartas listam dados como o nível de risco de extinção, dimensões de altura e diâmetro, tempo de vida e as utilidades de cada planta na natureza.
O projeto foi concebido pelo Cirad (instituição francesa de pesquisa agronômica), em um trabalho conjunto com a Embrapa e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP).
Traduzir o jargão científico para o público escolar foi o principal desafio do projeto, segundo Pierre Marracini, representante do Cirad.
“O jogo nos obrigou a pensar em cada palavra para que fosse entendida e pertinente para as crianças. O trabalho também foi duro para os pesquisadores, que estão acostumados a palavras rebuscadas”, revelou.
Para a estudante Jhamilly Corrêa de Paula, de 11 anos, a experiência trouxe novos aprendizados.
“A gente aprendeu a ver a largura, altura e a idade até onde as árvores vão, o tamanho das sementes… E foi muito bacana aprender sobre isso”, relatou.
Seu colega Eduardo Miguel Costa Souza, também de 11 anos, destacou a dinâmica da atividade no campo.
“Eu achei o jogo bem interessante porque ele fala das árvores e da altura, do diâmetro, da idade até onde ela vai. E eu também gostei do dia de hoje porque a gente veio ver as árvores aqui, como o mogno, o ipê-amarelo, o pau-brasil.”
Aprendizado prático no bosque
Durante a programação, as crianças (de 10 a 12 anos) ganharam kits do jogo e participaram de oficinas sensoriais, onde puderam manipular folhas, sementes e blocos de madeira reais. Logo após, o grupo percorreu as trilhas florestais da unidade de pesquisa para localizar exemplares vivos de espécies marcantes da flora brasileira, incluindo o ipê-amarelo, o mogno e o pau-brasil.

Na visão de Milton Kanashiro, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, o lúdico serve como porta de entrada para discussões ecológicas fundamentais.
“A importância desse momento é poder mostrar às crianças um pouco mais da biodiversidade brasileira, apresentar conceitos da Ecologia e despertar nelas a necessidade da conservação da floresta, entendendo que seres humanos, animais e plantas fazem parte de uma só saúde”, pontuou.
A professora e pedagoga Elaine Souza elogiou o formato da ação, ressaltando o valor de estender o ensino para além das paredes da escola.
“Esse momento é de fundamental importância porque tira a criança da sala de aula e traz para a prática. Elas começam a ver de forma concreta aquilo que a gente vem discutindo em sala sobre a importância da preservação e do cuidado com o meio ambiente”, concluiu.
A imersão na natureza reforçou o papel dos jovens na defesa ambiental. Ao refletirem sobre o que aprenderam, a urgência da conservação ficou evidente para os estudantes:
“A gente vai morrer se a gente tirar as árvores, porque as folhas delas que produzem o oxigênio pra gente. Por isso é bom cuidar do meio ambiente e também das nossas lindas árvores”, defendeu Eduardo.


