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MEIO AMBIENTE ECONOMIA 8 de junho de 2026

Estudo mostra como conservação ambiental e alta produtividade caminham juntas

Relatório revela que propriedades rurais podem liderar a expansão de florestas e injetar bilhões na economia até 2050
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Plantio de açaí em sistema agroflorestal, com o cacau, em Tomé-Açu (PA). Foto: Camta
Plantio de açaí em sistema agroflorestal, com o cacau, em Tomé-Açu (PA). Foto: Camta
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Resumo

  • O agronegócio brasileiro pode se tornar um dos principais vetores da expansão das florestas nas próximas décadas ao integrar produção, conservação e restauração.
  • Grande parte da conservação ambiental já ocorre em terras privadas por meio de Reservas Legais e APPs, provando que o setor pode crescer sem destruir biomas.
  • O estudo aponta um potencial conservador de 2,6 milhões de hectares de áreas privadas (como pastagens degradadas) aptas para o restauro com espécies nativas, gerando até US$ 141 bilhões até 2050.
  • Setores modernos, como o de etanol de milho, impulsionam a silvicultura comercial (eucalipto e pinus) para suprir a demanda de biomassa e gerar energia limpa.

     

  • A preservação florestal traz retorno financeiro direto ao campo: a umidade da Amazônia gera precipitações avaliadas em US$ 20 bilhões por ano para a agricultura do Centro-Sul.

O agronegócio brasileiro, que já é responsável por grande área de conservação por meio de Reserva Legal, pode ser um dos principais vetores da expansão das florestas no País nas próximas décadas. Essa é uma das conclusões da segunda edição do estudo “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”, que traça um panorama completo sobre conservação, restauração florestal e silvicultura no país, com recomendações sobre financiamento e políticas públicas.

O documento, que será apresentado este ano nas três Conferências das Partes da ONU (as COPs do Clima, da Biodiversidade e da Desertificação), defende que a produção agropecuária, a conservação e a expansão florestal não são agendas opostas, mas complementares.

O documento foi realizado por uma coalizão de instituições formada por Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Agroicone, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e Uma Concertação para a Amazônia.

Para Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone, essa união de forças é um diferencial competitivo do País.

“O estudo mostra que conservação florestal, restauração e produção agropecuária não são agendas concorrentes. O Brasil já possui uma das maiores áreas conservadas dentro de propriedades privadas rurais e pode ampliar sua liderança global ao conectar agricultura, florestas e soluções climáticas em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo”, afirma Lima.

De acordo com o levantamento, além de parte importante da conservação ambiental brasileira estar dentro das propriedades rurais — por meio das áreas de Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) —, há um volume significativo de áreas privadas pouco aptas para a agricultura ou pecuária que podem ser destinadas à restauração florestal.

Historicamente, o país já provou que o avanço do campo não depende do desmate. Entre 2004 e 2012, por exemplo, o desmatamento na Amazônia caiu 80% enquanto a produção agropecuária da região praticamente dobrou.

Agora, o novo salto do agro está diretamente ligado à transição florestal em terras privadas, utilizando áreas pouco aptas para a agricultura ou pecuária — como terrenos muito inclinados ou pastagens degradadas — para a recuperação vegetal.

Um levantamento preliminar conduzido pela Agroicone em parceria com o movimento Floraz cruzou bases de dados geoespaciais e identificou, em um cenário conservador, cerca de 2,6 milhões de hectares aptos para restauração com espécies nativas, distribuídos em aproximadamente 8 mil propriedades rurais.

Além de ajudar os produtores a regularizarem passivos ambientais previstos no Código Florestal, a restauração abre as portas para o mercado de créditos de carbono. Até 2050, projeta-se que a restauração florestal possa gerar US$ 141 bilhões no Brasil em biomateriais, alimentos e bioenergia.

A sinergia entre o agro e o cultivo de florestas também ganha força com a silvicultura comercial. O forte avanço do etanol de milho no Brasil — que representou 22% da produção total de etanol na safra 2024/2025 — aumentou drasticamente a demanda por biomassa de eucalipto e pinus para a geração de energia térmica nas usinas, impulsionando o plantio dessas árvores em áreas agrícolas.

Além do retorno financeiro com madeira e carbono, a expansão florestal é uma salvaguarda para a produtividade do próprio agronegócio. As florestas regulam o ciclo hidrológico e garantem as chuvas que sustentam o campo por meio dos “rios voadores”.

Um estudo internacional publicado na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, estima que a Amazônia Legal gera precipitações avaliadas em cerca de US$ 20 bilhões por ano para a agricultura brasileira.

Beto Veríssimo, cofundador do Imazon, reforça a posição estratégica que o país assume ao integrar essas frentes.

“O Brasil concentra cerca de 500 milhões de hectares de florestas nativas, domina tecnologias de conservação, restauração e silvicultura e reúne condições únicas para liderar a agenda global de soluções baseadas na natureza. Nossas florestas armazenam carbono, regulam chuvas, sustentam a produção agrícola, a geração de energia e o abastecimento de água. Quando falamos em clima, segurança alimentar e resiliência econômica, estamos falando diretamente da importância estratégica das florestas brasileiras”, pontua Veríssimo.

Com a agenda global passando a enxergar as florestas não apenas pelo carbono, mas como uma “infraestrutura natural” necessária para proteger a economia contra eventos climáticos extremos, o desafio do país passa a ser o financiamento estruturado.

“Precisamos fazer com que o capital natural e as soluções baseadas na natureza deixem de ser vistos apenas como uma agenda ambiental e passem a ocupar um lugar central na economia. As florestas brasileiras têm potencial para se consolidar como uma classe de ativos altamente atrativa para o mercado financeiro, gerando valor por meio de carbono, água, resiliência climática, biodiversidade e segurança alimentar. O desafio agora é criar mecanismos financeiros capazes de transformar esse patrimônio natural em ativos reconhecidos e valorizados globalmente”, conclui Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú.

Fonte: Imazon

agronegócio conservação ambiental PRINCIPAL produtividade
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